Depois de enfrentar um apagão de quase 60 horas em São Paulo, a AES Eletropaulo revê seus investimentos, mas permanece sob a ameaça de perder a concessão
Para cerca de 2 milhões de pessoas que vivem em São Paulo, a noite do dia 7 de junho será lembrada com um misto de ansiedade e perplexidade. A ansiedade ficou por conta da despedida do craque Ronaldo da seleção brasileira. O palco escolhido para a última partida de sua carreira, realizada contra a Romênia, havia sido o septuagenário Pacaembu, na zona oeste da cidade — e, para angústia de muitos torcedores, ele não marcou nem um gol sequer nos 15 minutos em que esteve em campo.
A perplexidade — que para alguns transformou-se em desespero — materializou-se em escuridão. No final da tarde, um blecaute generalizado atingiu os 24 municípios da região metropolitana da maior cidade do país. A passagem de um ciclone extratropical pelo sul do estado naquele fim de tarde trouxe ventos de até 120 quilômetros por hora — o suficiente para derrubar 260 árvores e interromper o fornecimento de energia a cerca de 600.000 imóveis.