O faturamento da indústria nacional de máquinas e equipamentos teve uma queda de 20%, e sua mão de obra uma redução de 7,5% durante o ano de 2009, o que significou cerca de 20 mil empregos menos do que no final de 2008. O setor atingiu o ‘fundo do poço’ em fevereiro do ano passado, quando a queda do seu faturamento, em relação a fevereiro de 2008, atingiu 35%. Depois, começou um processo de recuperação gradual, mas que não foi suficiente para evitar a redução de 20% na média do ano. “Houve uma espécie de ‘queda livre’ no faturamento do nosso setor, no final de 2008 e início de 2009, e a partir de fevereiro começaram a haver pequenos incrementos. Em novembro, porém, houve uma nova queda, para a qual nós ainda não conseguimos encontrar uma explicação plausível, inclusive porque o levantamento estatístico de dezembro ainda não está pronto”, afirma José Velloso Dias Cardoso, 1º vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Carteira em baixa
Velloso observa que o mau desempenho do setor em ano de 2009 se refere especificamente ao faturamento, mas que, além disso, é necessário entender que uma de suas características intrínsecas é a defasagem entre a encomenda e o efetivo faturamento de uma máquina ou equipamento e seu faturamento. “Quando o cliente compra uma máquina, ela vai ser faturada, em média, num prazo de 90 a 180 dias, podendo inclusive ser muito mais. Uma caldeira para uma usina de açúcar e álcool, por exemplo, leva mais de um ano para ser produzida”, explica. “Ocorre que o setor começou o ano de 2009 com uma carteira de pedidos relativamente boa, já que 2008 foi um ano bom e só despencou depois de setembro. Então, quando 2009 começou, a carteira era boa, mas ela não foi realimentada e, agora, estamos começando o ano de 2010 com uma carteira de pedidos menor do que a que tinha no início de 2009, o que deve se refletir em 2010. Acreditamos que 2010, embora sinalize que vai ser um ano melhor do que 2009 para a economia em geral, ainda deve ser um ano regular para o nosso setor de máquinas e equipamentos. Um ano de recuperação. Nós acreditamos que, em 2010, não vamos atingir o faturamento de 2008, mas acreditamos que vamos ter um faturamento melhor do que 2009, com um aumento entre 8% e 10%. Desse modo, em 2010 provavelmente vamos atingir o mesmo patamar de 2007.”