Uma proclamação idêntica pode ter resultados extraordinariamente diferentes.
Nos primórdios da Revolução Russa, o líder bolchevique Nicolau Bukharin fez uma exortação à sociedade: “Enriqueçam!” O que se seguiu foi o oposto — e o próprio Bukharin acabaria por ser executado como “traidor ao serviço do capitalismo” num dos polémicos julgamentos dos anos 30 promovidos por Estaline. Há pouco mais de 30 anos, o então primeiro-ministro chinês Deng Xiaoping repetiu a máxima de Bukharin e apelou aos chineses para enriquecerem. “Estamos cansados de ser pobres”, afirmou. As consequências das palavras de Deng estão à vista, expressas no monumental crescimento que levou a China à posição de segunda maior economia do mundo. Deng não se limitou à oratória. Permitiu uma heresia dentro da ortodoxia comunista de Mao Tsé-tung — que os negócios deixassem de ser monopólio estatal. E o empreendedorismo floresceu.
Liang Wengen, por exemplo, era um jovem com apenas 20 anos quando Deng colocou a China no caminho da livre iniciativa individual. Depois de se formar na universidade, ele trabalhou alguns anos numa empresa estatal de armas. No final da década de 80, fundou o seu próprio negócio, juntamente com alguns amigos.