O Rio de Janeiro passa por um momento histórico — e já está repleto de oportunidades para pequenas e médias empresas
A empresa carioca Ambidados fica na Ilha do Fundão, um arquipélago de oito pequenas ilhas na baía de Guanabara unidas por um aterro em meados do século passado para a construção da sede da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fundada há quatro anos pela administradora Wilsa Atella, de 35 anos, a Ambidados faturou 2,2 milhões de reais em 2010, fornecendo sistemas de monitoramento das condições do oceano para empresas que atuam em alto-mar. Entre os clientes está a Petrobras, que fechou um contrato de quatro anos para utilizar um sistema que mede a variação da altura das marés e a intensidade das ondas, o que ajuda a planejar a navegação e o atracamento de navios. “Em 2011, a Ambidados deve crescer 40%”, diz Wilsa. “Com isso, vamos deixar a incubadora onde estamos hoje para ter nossa própria sede.”
A Ambidados está no epicentro das oportunidades surgidas recentemente para pequenas e médias empresas na cadeia brasileira do petróleo. Desde 2007, quando foram descobertas imensas reservas na camada geológica do pré-sal, a 7.000 metros de profundidade, o Rio de Janeiro vive um turbilhão de mudanças para se tornar um polo mundial de tecnologias para extração de petróleo do fundo do mar. Durante os próximos cinco anos, dez grandes fornecedores da Petrobras, como a brasileira Usiminas e a americana GE, devem investir 500 milhões de reais para erguer centros de pesquisas próprios na Ilha do Fundão, onde ficará a nova sede da Ambidados. A empresa está a todo vapor. “Recebemos recursos para fazer um novo produto”, diz Wilsa. Trata-se de um aparelho para guiar mergulhadores e máquinas submarinas e que deve ser colocado no mercado em até três anos.