As companhias químicas, petroquímicas, siderúrgicas e de máquinas e equipamentos receberam com preocupação a notícia de que o governo não vai renovar em outubro a proteção concedida à indústria nacional por meio aumento do imposto de importação.
Os 100 produtos que tiveram aumento de alíquotas de setembro do ano passado voltarão aos patamares que vigoravam antes da elevação. Para a maioria das indústrias ouvidas pelo Valor, a decisão se traduzirá em redução de competitividade e os efeitos dessa medida sobre a inflação serão nulos.
Da lista de 100 itens que tiveram aumento da alí quota, 20 são do setor químico. "Estamos extremamente preocupados. O déficit da nossa balança comercial, que bate recorde todo ano, poderá atingir US$ 33 bilhões", disse Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). No ano passado, o rombo do setor químico atingiu US$ 28,1 bilhões. Para este ano, a Abiquim previa que o déficit atingisse os US$ 30 bilhões. Dados anualizados de julho de 2012 a junho deste ano mostram que o buraco chegou a US$ 31 bilhões, de acordo com Fátima Ferreira, diretora de economia da Abiquim. Sete grandes grupos serão afetados diretamente Oxiteno (do Ultra), Elekeiroz, Basf, Braskem, Unigel, Dow do Brasil e Lanxess. "Há empresas que cogitam fechar unidades produtoras", disse Figueiredo.