As fortes inundações ocorridas neste verão de 2010, provocadas por temporais cada vez mais freqüentes em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, agravadas pela obstrução e perda de capacidade dos sistemas de drenagem, mostraram de forma implacável a fragilidade dos sistemas de gestão de resíduos urbanos, principalmente nas capitais. Prejuízos econômicos e sociais, com a destruição de equipamentos urbanos, engarrafamentos quilométricos, desabamentos e conseqüente perda de patrimônio pessoal pela sociedade, impõem a implantação urgente de mecanismos eficientes de gestão de resíduos sólidos, com manejo e destinação adequados.
No Brasil, as RCD (Resíduos da Construção e Demolição) constituem considerável massa dos resíduos sólidos urbanos. Quando mal gerenciada, esse grande volume de resíduos degrada a qualidade de vida urbana, sobrecarrega os serviços municipais de limpeza urbana e reforça no país a desigualdade social, através da drenagem de escassos recursos públicos para pagar a conta da coleta, transporte e disposição de resíduos depositados irregularmente em áreas públicas. Conta esta que, na realidade, é de responsabilidade dos geradores.