A compra de uma participação maior pela Glencore na Ferrous seria importante dentro do plano da empresa brasileira de expandir a produção de minério de ferro na mina de Viga, em Congonhas (MG), onde prevê produzir 15 milhões de toneladas em 2017.
Nos bons tempos, ainda em 2010, o empresário Eike Batisa acreditava que conseguiria fazer a MMX, sua empresa de minério de ferro, ser protagonista em um movimento de consolidação de empresas mineradoras no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. A empresa tinha potencial para se tornar, segundo ele, uma "quase Vale ". Hoje, ao invés de consolidadora, a MMX tornou-se alvo de compra de outras companhias em meio à crise no seu grupo controlador, a holding EBX. Uma das interessadas na MMX é a suíça Glencore Xstrata, apontada por fontes do setor como uma das empresas capazes de começar a consolidação sonhada por Batista há três anos.
A Glencore e outra trading, a holandesa Trafigura, surgiram como candidatas a uma negociação com a MMX. A mineradora confirmou as negociações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em outra frente, a Glencore comprou ações de uma mineradora independente com sede em Belo Horizonte, a Ferrous. O Valor apurou que a Glencore estuda a compra de fatia maior na Ferrous que lhe dê posição forte na governança da empresa. "A Glencore atua em várias frentes [no Brasil] para fazer algo grande, mas a estratégia é comer pelas beiradas", disse uma fonte. Foi uma referência ao fato de que a trading poderia fazer movimentos gradativos. Procurada, a Glencore disse não falar sobre especulações.