Depois de meio ano com a percepção de que o pior da crise havia acabado, a recuperação dos mercados financeiros "perde fôlego", a volatilidade está de volta e as incertezas passam a ameaçar a retomada do crescimento nos países ricos. Se não bastasse isso, a dívida das economias industrializadas está em grande parte nas mãos de bancos comerciais e o risco é de que um eventual calote de economias da zona do euro arraste o mercado financeiro e jogue o mundo em uma nova recessão.
Esse é o cenário apresentado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), que indica que apenas os governos europeus têm US$ 1,2 trilhão em dívidas nas mãos de bancos. Depois de salvar instituições financeiras em 2008 com recursos públicos, governos promoveram uma corrida exatamente aos bancos por empréstimos para rolar suas próprias dívidas e evitar um default (calote). Em apenas um ano, pegaram emprestado de bancos US$ 800 bilhões a mais do que haviam tomado um ano antes.