A indústria cimenteira vive dias de bonança no Brasil, com taxas de consumo que crescem 15% anualmente e que tiram da lembrança os anos de vacas magras do começo desta década. Quem não correu para investir nos últimos dois anos corre o risco de perder uma boa parte da demanda aquecida prevista até 2016 no mercado brasileiro. Sem fazer alarde - e numa única tacada -, o grupo francês Lafarge reposicionou sua presença no país em fevereiro para tirar proveito da onda positiva vivida pelo setor. E fez isso sem desembolso extra do caixa. Apenas utilizou um único ativo: sua participação de 17,2% no capital da Cimpor, maior cimenteira portuguesa, a qual foi vendida ao grupo Votorantim.
Enquanto três grupos brasileiros - Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), Camargo Corrêa e Votorantim - se digladiavam para assumir o controle da companhia portuguesa, a Lafarge, uma acionista sem mais ambições por lá, decidiu sair da empresa sem nenhum pudor. "Nossa participação deixou de ser estratégica depois que adquirimos a Orascom, do Egito, quase três anos atrás", disse ao Valor o presidente da Lafarge no Brasil, Thierry Métro.