Por causa da precariedade na infraestrutura de transporte, e da carga tributária, distância máxima entre obra e fábrica deve ser de 200 quilômetros
A construção industrializada ganhou um importante impulso com a Copa do Mundo. Todos os 12 estádios escolhidos para sediar o evento de 2014 utilizam a tecnologia do pré-fabricado, assim como as obras de ampliação dos aeroportos. O setor também avança significativamente em empreendimentos como condomínios logísticos, indústrias, shopping centers e supermercados, mas não consegue se consolidar no segmento habitacional. Por dois motivos: logística e carga tributária. “Com a industrialização agregaríamos produtividade à questão habitacional, mas a tributação e a infraestrutura de transporte, por enquanto, inviabilizam isso”, explica Íria Doniak, presidente-executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) em entrevista coletiva concedida recentemente no Concrete Show 2013.
Em muitos casos, a logística dificulta mais o emprego da construção industrializada do que a carga tributária. “Como o Brasil tem pouca navegação de cabotagem e pouca ramificação ferroviária, o transporte das peças pré-moldadas depende das rodovias. Isso faz com que tenhamos que concorrer com o agronegócio, o que encarece o frete. Então, se estabeleceu um padrão de que, para que a construção industrializada possa ser competitiva, a distância entre a fábrica e o local da obra não pode ser superior a duzentos quilômetros”, explica Agnaldo Mafra Júnior, presidente do conselho estratégico da Abcic. “Essa questão da logística e dos impostos também impede que a construção industrializadatenha um preço definido do metro quadrado. Não dá para saber, pois o frete e o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias) variam de estado para estado”, completa Íria Doniak.