Ficou para trás o pânico que se alastrou nas ações de empresas ligadas à infraestrutura depois que, em 11 de setembro, o governo federal anunciou a renovação das concessões no setor de energia com redução tarifária média de 60%.
Em um mês, vários papéis se recuperaram. Mas o mercado reavalia suas posições com o reaparecimento do risco regulatório, que pouco preocupava os investidores até então. As mudanças no modelo de concessões de aeroportos e ferrovias cogitadas em Brasília mostraram que esse risco é real, embora seja maior ou menor de acordo com o setor em que as empresas atuam.
Analistas consultados pelo Valor mostraram maior preocupação com companhias ligadas a portos e ferrovias, setores que passam por reformas no marco regulatório e, portanto, trazem incertezas sobre o futuro. Já as empresas de rodovias e saneamento são vistas como mais "seguras". As "units" da Santos Brasil, especializada em terminais portuários, caíram mais de 14% em um mês, apesar da alta de 19% no ano. Para analistas, como Pedro Balcão, do Santander, a renovação da concessão do terminal no porto de Santos, em 2022, será feita com pesados compromissos de investimentos, que poderão baixar a margem operacional da companhia de 55% para 35%.