A perda de espaço no mercado internacional e as dificuldades econômicas internas estão empurrando o governo brasileiro no caminho certo do pragmatismo. Exemplo dessa tendência é a recente consulta pública tendo em vista colher subsídios para a construção de um modelo de concessão do acesso aquaviário aos portos. O governo se mostra aberto a propostas ousadas, como a privatização dos serviços de dragagem, a sinalização e a segurança dos canais. Sem dúvida, isso representa um avanço.
O modelo vigente de contratação de dragagem sempre acarretou dificuldades nos processos licitatórios, causando atrasos e perdas consideráveis de recursos públicos, além de prejuízos ao comércio exterior. Não faz muito tempo, o colapso generalizado dos sistemas de manutenção converteu os canais de acesso de alguns de nossos principais portos em autênticos atoleiros submersos, exigindo malabarismos nas operações de tráfego. Por isso hoje ninguém discute a importância de prover os portos de profundidades compatíveis com navios de grande porte, o que, além de evitar problemas, gera consideráveis ganhos de escala. Exemplificando, cada centímetro a mais de calado permite ao navio carregar mais 100 toneladas, ou 8 contêineres.