Privatizar estatais é a única garantia de que governo não precisará fazer aportes
No dia 24 de agosto, o governo anunciou um ambicioso programa de privatizações e concessões para este e para o próximo ano. Esse movimento é muito importante no momento atual. Infelizmente, foi mal divulgado, uma vez que ficou a impressão de que o grande objetivo é arrecadar recursos extras para o Tesouro, quando, na realidade, esta é apenas uma das razões para privatizar – e não a mais importante. Isso porque os volumes possíveis de serem arrecadados são relativamente pequenos, em comparação com o déficit fiscal projetado, e também por se tratar de uma receita não recorrente, que ocorre somente uma vez.
Existem várias razões para justificar o programa, e a mais importante é que passar esses projetos para o setor privado é a única forma de elevar o investimento, sem o qual a recuperação econômica não vai se consolidar. Por causa das agruras do Tesouro e do excesso de capacidade hoje existente na indústria e em outros segmentos, apenas a infraestrutura será capaz de realizar tal tarefa. Sua melhora é a forma mais eficaz de conseguirmos elevar a produtividade da economia brasileira num prazo relativamente curto.