Presidente do Comitê do Fórum Mundial da Água, Benedito Braga, fala sobre evento mundial de gestão de recursos hídricos e diz que SP pode sofrer desabastecimento
Parece uma realidade absurdamente distante para quem, todos os dias, abre a torneira e obtém, imediatamente, água potável, mas Benedito Braga, presidente do Comitê Internacional do Fórum Mundial da Água* e vice-presidente do Conselho Mundial de Água*, alerta: se a população não pressionar e os governos não tomarem medidas urgentes para melhorar a qualidade do abastecimento de água nas grandes metrópoles, em dez anos, cidades como São Paulo, Pequim, na China, Mumbai, na Índia, e Dacar, no Senegal, sofrerão com a falta de água e enfrentarão um regime severo de economia do recurso.
O motivo? "Por conta da urbanização irregular, os rios estão cada vez mais sujos e, consequentemente, os sistemas de abastecimento cada vez mais precários. O limite da relação oferta/demanda de água está no limite e é preciso buscar o recurso em mananciais cada vez mais distantes, onde o m³ de água é cada vez mais caro", explicou Braga, que ainda pontuou: "É ilusão achar que a população vai deixar de crescer e a demanda não mais aumentará. A classe política deve enfrentar o problema agora, com boas obras de abastecimento que devem ser feitas de forma integrada, afinal, as bacias hidrográficas do Brasil não acompanham os limites geográficos do país".