O presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, mostrou preocupação com novos projetos siderúrgicos no país que podem ter por trás uma motivação política e não uma razão econômica. O executivo lembrou que há atualmente um excedente de 532 milhões de toneladas por ano no mercado global de aço, enquanto no Brasil a sobra do produto - diferença entre a capacidade de produção e a demanda interna - atingiu 15,6 milhões de toneladas no ano passado e deverá chegar a 16,2 milhões de toneladas este ano.
Lopes tentou evitar atritos com a política da Vale de investir em siderurgia. A empresa tem três projetos de produção em fase de estudos e aprovação: um no Pará, outro no Ceará e um terceiro no Espírito Santo. Mas ele alertou para possíveis decisões que tenham por trás apenas o viés político. "Não tenho receio com projetos da Vale. Tenho receio que se dê uma conotação política nessas definições de projetos. Um projeto hoje de usina nova, se olhar para o mundo do jeito que está, se não tiver parceiro estratégico que demande placa, está numa situação [difícil]", frisou Lopes durante evento no Rio, ontem.