A Vale anunciou ontem que pretende se desfazer de fatias minoritárias em projetos de carvão em Moçambique e na Austrália.
A mineradora também tem planos de vender cerca de metade da participação que detém no corredor Nacala, infraestrutura logística da operação moçambicana formada por ferrovia e porto. Nacala é um elo importante para o escoamento da produção de carvão de Moatize, na província de Tete. A companhia sinalizou ainda que vai buscar parcerias para seus projetos na área de fertilizantes. As informações foram anunciadas pelos principais executivos da empresa que participaram, em Londres, do "Vale Day".
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que parcerias no corredor Nacala poderão reduzir a obrigação de aportes da Vale em uma operação que não será exclusivamente feita para o "core business" [o carvão] da companhia. Ferreira afirmou que o objetivo da companhia é reduzir a participação dos atuais 70% para 35% mais um voto. Esse modelo vai garantir a Vale como maior acionista individual, uma vez que o governo moçambicano, dono de 30% do negócio com investidores locais, determinou que a ferrovia que está em construção será usada para transportar carga geral e não apenas o carvão de Moatize até o terminal marítimo de Nacala-à-Velha.