Uma mancha branca em meio ao verde da Amazônia vai mudar de dono. Por enquanto uma das maiores jazidas do mundo de caulim – usado pela indústria papeleira, de cerâmica e farmacêutica – está nas mãos da brasileira Vale. Mas a mineradora quer se desfazer de suas subsidiárias Pará Pigmentos S/A (PPSA) e Caulim da Amazônia S/A (Cadam), que exploram o produto. As empresas estão instaladas em uma área de 226 mil hectares da floresta amazônica, no Pará e Amapá, segundo vídeo apresentado a investidores estrangeiros pela Vale. É o equivalente a quase 210 mil campos de futebol. Por US$ 158 milhões, as duas empresas devem passar para domínio francês, por meio da Imerys, que desembarcou no Brasil em 1994 e quer consolidar sua exploração na região, conforme revelou ao Estado de Minas uma fonte ligada ao negócio.
A Vale confirma a possibilidade de venda da PPSA. “Como parte da gestão de nosso portfólio de ativos, estamos em negociações preliminares com a intenção de vender nossa subsidiária PPSA, produtora de caulim”, informa no relatório do balanço de 2009. Não descartou, contudo, a possibilidade de se desfazer de todos os ativos nesse segmento. “Não vamos fazer nenhum comentário sobre isso”, afirmou, por meio da assessoria de imprensa. Segundo a fonte ligada à negociação, o martelo está próximo de ser batido, à espera apenas de que alguns nós sejam desatados em órgãos públicos.