Tratado como "símbolo da mudança social" pela prefeitura e sob aval de experts em trânsito, novo ‘bonde’ entra na mira de historiadores
O primeiro trecho do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no centro do Rio, entrará em operação no dia 22, ligando, de modo inédito, a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont. Especialistas em planejamento urbano e em transportes têm opiniões diversas sobre a novidade. Por um lado, o modal é elogiado por ser ecológico e de alta capacidade; por outro, criticado por desvirtuar o projeto original da Avenida Rio Branco, aberta há 111 anos.
Obra vinculada à Olimpíada, o VLT é desaprovado por urbanistas ouvidos pelo Estado por ignorar a vocação da Rio Branco de ligar a Baía de Guanabara, da Praça Mauá (seu início), do lado do Porto, à Avenida Beira-Mar, junto ao Aterro (onde termina). O arquiteto e urbanista Luiz Fernando Janot, que representa o Rio no Conselho Federal de Arquitetura e Urbanismo, acha que o traçado deveria ter passado por consulta pública. “É equivocado e imediatista. Desvirtua um símbolo da história do Rio. As cidades são construídas paulatinamente por meio do diálogo com a sociedade.”