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GC nº 32Novembro 2012 Matéria 24 de 31
Sumário
  1. EditorialProdutividade: o desafio da indústria brasileira
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoMilitares do Exército Brasileiro aprendem a construir estradas
  4. Jogo RápidoComeçam as obras de 14 pontes e viadutos da BR-290
  5. Jogo RápidoFPSO Cidade de São Paulo tem construção finalizada
  6. Jogo RápidoManitowoc se credencia junto ao Finame
  7. Jogo RápidoGerdau fornece aço para ampliação de aeroportos
  8. Jogo RápidoAfrânio Chueire assume a presidência da Volvo CE Latin America
  9. Jogo RápidoMetso fornecerá equipamentos para nova planta da Galvani
  10. Jogo RápidoLançada PPP de R$ 1,6 bi para tratamento de água em São Paulo
  11. Jogo RápidoVendidas 132 retroescavadeiras ao Ministério de Desenvolvimento Agrário
  12. Jogo RápidoSermáquinas inicia venda de equipamentos de Linha Amarela
  13. Jogo RápidoPetrobras compra guindastes offshore com conteúdo local
  14. Jogo RápidoOscar Niemeyer
  15. Jogo RápidoO legado de Rebouças
  16. EntrevistaOntem vidraça, hoje pedregulho
  17. FórumUm olhar voltado para o futuro
  18. Matéria De Capa - Copa 2014A cereja do bolo
  19. Momento ConstructionVersatilidade como maior diferencial
  20. Construção ImobiliáriaNegócios na linha do sol
  21. EnergiaMauá prepara-se para gerar energia
  22. Mobilidade Urbana - Porto MaravilhaPorto Maravilha dá início à construção da Via Expressa
  23. Transporte UrbanoDe Hortolândia para o mundo
  24. Concreto HojeConcreto ecológico
  25. Concreto HojeConcreto e PVC, um casamento promissor
  26. Engenharia EstruturalTalento Engenharia Estrutural
  27. Métrica Industrial - Mão De ObraMão de obra ainda é gargalo na construção civil
  28. ArtigoConstrução: Os desafios da industrialização
  29. EventoComunidade técnico-científica debate a tecnologia do concreto
  30. Enquete OnlineEnsino de Engenharia do Brasil: Falta diálogo com o mercado de trabalho
  31. Enquete OnlineImportação de mão de obra não é solução, mas se faz necessária
Concreto Hoje

Concreto ecológico

Polpa de bambu, fibra de sisal e fibra de coco são algumas das soluções criadas por pesquisadores brasileiros para tornar o cimento mais sustentável

Exclusivo GC 12 de dezembro de 2012 · Edição 32

Instituições como o World Business Council for Sustainable Development apontam que o cimento é responsável por 5% do CO2 emitido no mundo. Isso diante do volume de produção anual de 3 bilhões de toneladas, uma quantidade que deve crescer mais de 300% nos próximos 20 anos. No Brasil, a produção anual é de cerca de 70 milhões de toneladas, o que coloca o país entre os 10 maiores produtores do mundo. Positivamente, porém, o País tem uma indústria cimenteira moderna, onde a emissão de gases poluentes por quilo de cimento produzido é menor em relação a outros países. Ou seja, enquanto no Brasil a proporção é de 710 kg de CO2 emitido por tonelada produzida, a média mundial é de 880 kg CO2/t.

O dado é positivo, é verdade, mas não o suficiente para os pesquisadores de soluções ecológicas para o cimento. Foi o que demonstrou o professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe/UFRJ, Romildo Toledo, em conferência no evento Missão Internacional em Construção Verde, da Câmara Americana de Comércio do Rio de Janeiro. Representando pesquisadores do Laboratório de Estruturas e Materiais da Coppe, ele apresentou soluções de concreto ecológico capazes de substituir entre 5% e 10% a quantidade de cimento utilizado no concreto. “Ainda estamos estudando outros materiais, como borracha de pneu usado para tornar todo o processo da produção do concreto mais sustentável, eliminando ao máximo a emissão de CO2”, adianta Toledo.

Voltando ao que já foi desenvolvido e testado em laboratório, o pesquisador destaca a utilização de fibras de sisal e de coco. Segundo ele, esses materiais naturais são tão eficientes no reforço do concreto quanto as fibras sintéticas de polipropileno, nylon ou amianto. Em alguns casos, ainda de acordo com o especialista, o sisal pode ser até mais eficiente, pois confere maior ductilidade, ou seja, melhor capacidade de estirar ou comprimir a mistura.

Outros estudos do Coppe dizem respeito ao desenvolvimento de tecnologia para o uso de cinza do bagaço de cana na substituição parcial do cimento. Outros testes também envolvem o uso do sisal cultivado no Nordeste e das fibras de plantas da Amazônia como substitutos para as fibras de aço, sintéticas e de amianto em produtos de fibrocimento. “Os estudos demonstram que as fibras vegetais podem substituir em pelo menos 50% o cimento na mistura, reduzindo ainda mais a emissão de gases na produção do concreto”, diz Toledo, lembrando que as plantas amazônicas referidas são o arumã, a juta, a piaçava e o curauá.

Fibrocimento de Bambu

Outra iniciativa de tecnologia sustentável para a indústria cimenteira partiu da Universidade de São Paulo (USP), onde os pesquisadores desenvolveram nova técnica para usar o bambu como matéria-prima na produção de materiais de fibrocimento. A polpa do vegetal é obtida pelo método organossolve, que nada mais é do que uma técnica que utiliza reagentes orgânicos para retirar a lignina, um dos componentes do bambu.

Holmer Savastano Junior, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, explica que a organossolve é uma metodologia alternativa ao kraft, sendo que esse último é o comumente utilizado em larga escala industrial para a fabricação de papel a partir da madeira. “No processo kraft são utilizadas diversas substâncias químicas que separam os seus componentes como lignina e celulose. No processo organossolve, utilizamos solventes orgânicos, ou seja, etanol e água, que são bem menos poluentes do que os agentes químicos do kraft”, compara ele.

Assim, a polpa obtida do bambu pode ser adicionada diretamente à matriz de cimento, dando maior resistência às placas de fibrocimento, o que inibe a propagação de fissuras e proporciona maior absorção de impactos. De acordo com Savastano, o estudo avaliou a adição da polpa de bambu em diferentes proporções para a fabricação de placas de fibrocimento e os melhores resultados foram com a proporção de 8% de teor do material em massa seca em relação à matriz cimentícia. “Além disso, nos testes de absorção de água, as placas de cimento reforçadas com polpa de bambu apresentaram percentual de 26%, sendo que a norma estabelece 37% como limite máximo de absorção, o que novamente, demonstra a vantagem da solução”, finaliza o pesquisador.

Participação percentual de diferentes setores na emissão de gases de efeito estufa

Prédios Residenciais 7,90%

Indústria 19,40%

Agricultura 13,50%

Exploração Florestal 17,40%

Resíduos e Águas Residenciais 2,80%

Energia 25,90%

Transporte1 3,10%