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GC nº 48Maio 2014 Matéria 13 de 25
Sumário
  1. EditorialUma ponte para o presente e para o futuro
  2. Jogo RápidoConsórcio liderado pela Odebrecht vai construir e operar VLT de Goiânia
  3. Jogo RápidoAutodesk adota o sistema de "locação" de software
  4. Jogo RápidoGrupo Águas do Brasil assumirá saneamento básico de Paraty
  5. Jogo RápidoAllianz Parque adota tecnologia inédita para cobertura
  6. Jogo RápidoBraskem desenvolve nova resina para tubos e adutoras
  7. Jogo RápidoVenda de caminhões cai 10,7% em março
  8. Jogo RápidoJCB lança nova pá carregadeira para o mercado
  9. Jogo RápidoPetrobras investe US$100 bilhões na indústria naval brasileira
  10. Jogo RápidoSany bate recorde de vendas de escavadeiras
  11. EntrevistaQuando o meio-ambiente dá as cartas
  12. WorkshopQuestão de risco e de inteligência
  13. Matéria De Capa - Obra De ArteUma ponte para o futuro
  14. Matéria De Capa - Obra De ArtePrimeira fase dos estudos ambientais está concluída
  15. Matéria De Capa - Obra De ArtePonte deve diminuir evasão populacional no recôncavo
  16. RodoviasDesatando o nó
  17. RodoviasBrazil Road Expo: 11 mil visitantes e R$ 600 milhões em negócios
  18. MercadoWeber Saint-Gobain inaugura sua 17a fábrica no Brasil
  19. Construção IndustrialEstado da arte em complexo industrial
  20. LogísticaEtanolduto começa a sair do papel
  21. Energia - BiomassaBiomassa pode garantir 13% da geração de energia do país
  22. Momento M&T Peças E ServiçosSistemas inteligentes contribuem para a produtividade de uma obra
  23. Concreto HojeSaneamento recorre aos benefícios das estruturas de concreto
  24. ArtigoOs subcontratos na indústria da construção
  25. Espaço SobratemaEspaço Sobratema
Matéria De Capa - Obra De Arte

Uma ponte para o futuro

Começa a sair do papel o projeto da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, um novo marco na Engenharia brasileira e virtual indutor de desenvolvimento socioeconômico para a região

Exclusivo GC 8 de maio de 2014 · Edição 48

Ponte, com 12 km de extensão, sendo 700 m de trecho estaiado, tem o custo estimado em R$ 7 bilhões

Foi formalizado, no início de março, o contrato para elaboração do projeto básico de engenharia da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. O documento foi assinado pelo Governo do Estado da Bahia com o consórcio formado pelas empresas brasileiras Enescil e Maia Melo, e pela dinamarquesa Cowi. A escolha foi resultado de uma licitação internacional que considerou, para efeito de classificação, critérios como capacidade técnica dos concorrentes e preço proposto para o trabalho. O consórcio vencedor apresentou a proposta de elaboração do projeto pelo valor de R$ 22,5 milhões, o que representou um deságio de 15,4% em relação ao preço inicialmente estimado.

A ordem de serviço para o início do projeto básico de engenharia já foi emitida e o consórcio deverá apresentar estudos intermediários e finais até outubro deste ano. Uma das suas tarefas é propor alternativas para o traçado da ponte e para a rodovia que dará continuidade à obra de arte, na ilha de Itaparica. O consórcio fará, também, o anteprojeto de engenharia e o relatório que subsidiará o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que já está sendo elaborado por outro consórcio internacional, formado pelas empresas V&S Ambiental (Brasil) e Nemus (Portugal).

Esse segundo consórcio havia vencido, anteriormente, a disputa para a elaboração do EIA e pelo relatório de impacto ambiental (Rima) para a construção da obra de arte, a um custo de R$ 7,2 milhões. O EIA-Rima é considerado um instrumento fundamental para minimizar os impactos ambientais e sociais, sobretudo na Ilha de Itaparica, na Baía de Todos-os-Santos e demais áreas afetadas na região do Recôncavo Baiano. De acordo com o edital, os estudos englobam um diagnóstico ambiental e a proposição de planos e programas de mitigação e compensação do impacto ambiental.

O projeto original, que está sob a coordenação do Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba) e da Secretaria de Planejamento do Governo do Estado (Seplan), foi proposto pelo consórcio formado pela OAS, Camargo Corrêa e Odebrecht Transport. Ele prevê a construção de uma ponte com 12 km de extensão, sendo 700 m de trecho estaiado e 160 m de extensão móvel, para permitir a passagem de grandes embarcações. O custo estimado do empreendimento é de R$ 7 bilhões e, a  princípio, está prevista a execução das obras em um período de quatro anos.

O projeto, em sua concepção original, prevê a construção de uma ponte com seis faixas de tráfego e duas de acostamento, somando 27 m de largura. O trecho estaiado terá 70 m de altura e 25 m de profundidade. Esse vão será sustentado por dois mastros de estrutura triangular, seguindo a inclinação dos estais. No topo dos mastros haverá um mirante, que será acessado por bondinhos.

Cada pilar da ponte deverá ter entre 200 e 250 m de distância entre si, para garantir a vista da paisagem da baía. No trecho que foi projetado para ser móvel, permitindo a passagem de até mesmo plataformas de petróleo, a estrutura das vias se deslocará sobre o próprio eixo. Durante essa operação, o tráfego de veículos será interrompido.

Mas a ponte não é um projeto isolado. Ela faz parte de um plano de desenvolvimento regional, elaborado pelo governo do estado da Bahia, que se desdobra com a criação do Sistema Viário Oeste, resultado da duplicação e reconfiguração das rodovias BA-001 e BA-046, nos trechos entre Bom Despacho, Nazaré e Santo Antônio de Jesus, que cortam a Ilha de Itaparica. Inclui, ainda, a requalificação da Ponte do Funil, construção da nova rodovia ligando Santo Antônio de Jesus e Castro Alves e, a partir daí, a duplicação da BA-493 até o entroncamento com a BR-116.

Transporte e mobilidade

O traçado proposto deve partir das proximidades do Porto de Salvador e se estender até a região de Gameleira na Ilha de Itaparica. A proposta inicial prevê que a Ponte deve permitir a ampla navegação na Baía de Todos-os-Santos (BTS) e o acesso ao Porto de Salvador. Há ainda a possibilidade de uma alternativa para o transporte de massa, que terá a viabilidade analisada nos estudos de engenharia. Além disto, a Ponte será idealizada como uma obra de arte destinada a durar um século, com padrões estéticos compatíveis com a preservação paisagística da Baía de Todos-os-Santos e seguindo os padrões arquitetônicos mais modernos.

Para o dimensionamento do sistema viário será realizada uma análise de demanda do tráfego. Essa análise, juntamente com estudos de navegação na Baía de Todos-os-Santos, e dos impactos da ponte sobre o porto de Salvador, estará contida também no projeto básico de engenharia. Juntos, eles permitirão avaliar os efeitos do empreendimento em toda a região.

É solicitada ainda, ao consórcio responsável pelo projeto básico de engenharia, uma avaliação dos impactos socioeconômicos do empreendimento, tais como as questões de água, esgoto e resíduos sólidos decorrentes da maior ocupação da ilha.

O cronograma de ações deste ano inclui a contratação de estudos de sondagem, engenharia, meio ambiente e de urbanismo. Está prevista ainda a realização de um convênio para os estudos de hidráulica marítima, além da licitação para os estudos culturais e imateriais. O projeto, de uma forma mais ampla, contempla a elaboração de um plano de desenvolvimento socioeconômico para toda a macroárea, com foco no Recôncavo e Baixo Sul. Essas iniciativas são fundamentais para o desenvolvimento planejado da região e minimização dos impactos ambientais do projeto.