Construtora brasileira que executou a obra pagou do bolso para receber depois; empresa vai administrar a via por 20 anos
A Estrada do Pacífico, que liga o Brasil ao maior oceano do planeta, terá seus últimos metros inaugurados nesta sexta-feira, mas o governo peruano pagará a obra pelos próximos 15 anos. A parte mais cara e complicada, que tem 710 km e corta os penhascos dos Andes e a alagadiça Amazônia peruana, custou US$ 1 bilhão (R$ 1,6 bi) – aproximadamente metade do total da via. A execução desse trecho só foi possível graças a uma parceria público-privada entre Lima e a construtora brasileira Odebrecht.
O pagamento funcionou da seguinte forma: a Odebrecht (na verdade, o consórcio na qual a construtora é líder, com 70% de participação) completava um trecho com recursos próprios e emitia um título, com vencimento de longo prazo; o governo verificava a obra e validava o título com um certificado oficial, que deixava baixíssimo o risco de quem comprava o papel; investidores adquiriam os títulos e resgatavam no vencimento, ganhando juros de 8,25% ao ano.