Enquanto o governo prepara um novo programa de concessões na área de infraestrutura, entidades empresariais ligadas à atividade portuária se posicionam, com críticas e sugestões, em relação à intenção do Planalto de transferir a administração dos acessos aquaviários nos portos ao setor privado. As concessões dos canais de acesso aos portos, anunciadas pelo governo, devem exigir um longo caminho até que seja possível construir um modelo para o setor e até que se chegue a um consenso entre os diferentes atores envolvidos. "Há consenso, praticamente uma unanimidade, de que a situação do jeito que está não pode ficar", disse o consultor Frederico Bussinger. Ele entende que, embora haja consenso no diagnóstico, o encaminhamento do tema difere, dependendo da entidade.
Nos últimos anos, a Secretaria de Portos (SEP) chamou para si a atribuição com um modelo de obra pública de dragagem. Houve licitações internacionais para aprofundamento dos canais de acesso aos portos, mas na visão de especialistas os resultados foram limitados. E hoje há gargalos no acesso marítimo aos principais portos do país. A própria SEP reconheceu, ao lançar um processo de consultas públicas sobre o tema, em abril, que há hoje maior e mais frequente necessidade de dragagens para manter as profundidades alcançadas. Cada centímetro de perda nos canais representa cerca de seis contêineres a menos de capacidade de carregamento dos navios. Só em Santos, há perda anual de 131 centímetros de profundidade no trecho mais crítico do canal. Essa perda pode gerar custos adicionais de frete de cerca de R$ 350 milhões na movimentação de contêineres, disse a SEP.