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GC nº 77Março 2017 Matéria 16 de 22
Sumário
  1. EditorialA supersafra e o gargalo logístico
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoSão Paulo abre agenda positiva com nova rodada de concessões
  4. Jogo RápidoSobratema e Messe München anunciam parceria inédita
  5. Jogo RápidoPedro Machado toma posse como presidente da AEAMESP
  6. Jogo RápidoMRV Engenharia já investiu R$ 192 milhões em urbanização
  7. Jogo RápidoConstrutora Passarelli à frente do Cinturão das Águas, no Ceará
  8. Jogo RápidoCase apresenta novas máquinas na Conexpo 2017
  9. Jogo RápidoEngenharia nacional não abre mão de atuar nas obras da Petrobras
  10. Jogo RápidoTamoios iluminada
  11. Memória Da EngenhariaCala-se a voz da construção
  12. EntrevistaPróxima parada: Aeroporto
  13. Mobilidade UrbanaUm trem para o aeroporto
  14. Mobilidade UrbanaLinha 2 do Metrô de Salvador começou a funcionar
  15. ConcessõesIndústria ferroviária aposta na renovação de concessões em 2017
  16. Saneamento20 consórcios disputam seis concessões
  17. SegurosSeguro-garantia em concessão e PPPs
  18. Smart CityA cidade do futuro tem sotaque cearense
  19. Momento ExpoNovidades para o profissional da construção
  20. Concreto HojeTelebelts garantem concretagens complexas em hidrelétrica canadense
  21. ArtigoPara entender as startups
  22. Agenda 2017Sobratema Workshop – Novas Práticas de Manutenção no Cenário Atual
Saneamento

20 consórcios disputam seis concessões

Programa de parcerias pode finalmente deslanchar investimentos nesta área

Exclusivo GC 20 de março de 2017 · Edição 77

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, em 6 de fevereiro, no Diário Oficial da União (DOU), a lista com 20 consórcios de empresas que foram habilitados a participar das licitações relativas à concessão das companhias estaduais de saneamento de Pernambuco (Compesa), Pará (Cosanpa), Maranhão (Caema), Amapá (Caesa), Sergipe (Deso) e Alagoas (Casal). Do total de grupos que pleiteavam a pré-qualificação, quatro não passaram no processo e um deu entrada no pedido fora do prazo. Posteriormente, o BNDES informou o início de mais um processo licitatório envolvendo os Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, iniciado em 15 de fevereiro e com encerramento marcado para 21 de fevereiro.

O edital de pré-qualificação definiu os consórcios que deverão participar, em licitações futuras, do processo de desestatização que o governo federal pretende promover no setor de saneamento básico. O programa poderá incluir opções como concessões, subconcessões e Parcerias Público Privadas.

O presidente da Casal, Clécio Falcão, esclarece o anúncio: "não se trata de aderir à privatização, e sim de ter acesso a mais uma opção de captação de recursos para investir em saneamento”.  Ele disse que o BNDES vai fazer estudos nas empresas para, com base neles, apontar os modelos de parceria privada potencialmente viáveis em cada Estado. Em seguida, com o apoio do BNDES, o Estado selecionará o modelo a ser detalhado para realização da futura licitação.

“Entendemos que a adoção de parcerias é bem-vinda, mas acreditamos que a privatização não está nos planos do Estado, uma vez que o governador Renan Filho demonstrou em várias ocasiões estar satisfeito com a Casal e com as medidas e rumos adotados pela atual gestão”, finalizou Clécio Falcão.

O papel do BNDES
O Banco atuará como o escritório de projetos dos Governos Estaduais, contratando consultorias para o diagnóstico da situação de cada Estado, estudos técnicos e proposição de modelagens adequadas a cada caso. Definida a modelagem, de comum acordo com cada Estado, o BNDES continuará apoiando o processo, desde a prospecção de investidores até a realização do leilão de concessão ou outra forma de parceria com a iniciativa privada. As empresas qualificadas estarão aptas a disputar as licitações que serão feitas pelo BNDES para contratação dos estudos técnicos que serão feitos para cada Estado que aderir ao programa. A qualificação será para a prestação de serviços de modelagem econômico-financeira, elaboração de estudo de engenharia relativo aos sistemas de abastecimento de água e/ou de esgotamento sanitário e prestação de assessoria jurídica, conforme critérios de habilitação técnica de cada especialidade.
A pré-qualificação busca trazer agilidade operacional para a realização de várias licitações para contratação de estudos relativos aos projetos de cada estado que serão feitas pelo Banco. Espera-se com isso reduzir o tempo de licitação, tornando-se desnecessário revisitar a fase de habilitação técnica em cada certame específico para contratação de consultores, uma vez que a qualidade técnica foi previamente aferida.
A política de financiamento do BNDES para o setor de financiamento permite financiar até 80% do projeto com taxa de juros de longo prazo (TJLP) e prazos de até 20 anos. São condições que incentivam o investimento privado e que refletem o compromisso do BNDES com um setor essencial para a melhoria da qualidade de vida da população e para a reversão da degradação ambiental.
Lista dos consórcios habilitados pelo BNDES
Consórcio Bain/Conen/Lacaz;
Consórcio APP Saneamento;
Consórcio AEE;
Consórcio CH2M/GO/AAA;
Consórcio Brasil Saneamento;
Consórcio Accenture/Engecorps/MP;
Consórcio Promon/Encibra/Madrona/Pezco;
Consórcio EY/Felsberg/Muzzi/Ema;
Consórcio KPMG/Sondotecnica/Dalpozzo;
Consórcio Saneamento Brasil;
Consórcio SEAV;
Consórcio Serenco/Proserenco/PCE/DBA;
Consórcio Sanear Brasil;
Consórcio Universalizar Saneamento;
Consórcio Acqua;
Consórcio Fator/Concremat/VG&P;
Consórcio DMHF;
Consórcio JNS/Infra/Aidar;
Consórcio BNDES Saneamento (PwC, Loeser e Portela, EGIS);
Consórcio Sanear
Abes rejeita venda de empresas de saneamento como moeda de troca
Roberval Tavares de Souza, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, soltou um comunicado rejeitando a venda de empresas de saneamento como moeda de troca. “O fato é que os governos federal e estaduais não estão discutindo uma proposta para melhorar a prestação de serviços de saneamento aos cidadãos, levar mais água tratada, coletar e tratar mais esgoto, os governos estão discutindo o equacionamento fiscal dos estados e as empresas passaram a ser apenas uma “‘moeda de troca”. A seu ver, o debate em torno dessa questão está ultrapassado. “A discussão deveria priorizar a eficiência da prestação de serviços, independentemente da natureza do operador, sejam públicos ou privados”, conclui.
O dirigente cita o exemplo do Rio de Janeiro: o Estado vai receber o aval do Governo Federal para tomar dois empréstimos de cerca de R$ 6,5 bilhões, tendo como garantias o que tem sido chamado de “privatização” da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e uma antecipação de receitas de royalties do petróleo.
“É lamentável que o modelo que afeta a gestão de uma empresa com a complexidade operacional da CEDAE,  só venha a conhecimento e debate da sociedade após sua consagração pelos órgãos superiores da administração pública federal e estadual e, até mesmo, do Supremo Tribunal Federal, que poderá homologar um acordo que não foi debatido com a sociedade”, destaca.
Tavares destaca que, em algumas regiões do país, mesmo após 10 anos da Lei 11.445, conhecida como a Lei do Saneamento Básico, o setor apresenta avanços tímidos, como demonstra o estudo realizado pela ABES, “Situação do Saneamento Básico no Brasil – uma análise com base na PNAD 2015”. São 29 milhões de pessoas sem acesso ao abastecimento geral de água, 69,2 milhões sem acesso ao esgotamento sanitário por rede e 20,5 milhões sem coleta de lixo.
Oswaldo Cruz: CRUZADA CONTRA O MOSQUITO

Na história recente do Brasil, o combate ao mosquito Aedes aegypti vai completando 30 anos no Brasil, com uma triste estatística. Agora a população sofre com a contaminação pelo mosquito não apenas da dengue, mas também da zika e da chikungunha. Não há como mensurar o custo social e humano para as famílias que perderam entes queridos ou tiveram filhos com hidrocefalia, em função da zika contraída por sua mães. E agora passa a temer também a proliferação da febre amarela não somente em áreas rurais como áreas urbanas. A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) atestou 68 mortes no estado de pessoas infectadas pela doença até fevereiro deste ano.
Talvez seja o caso de esquecer um pouco o hiper mundo virtual, e resgatar o aprendizado e o legado, deixado pelo médico Oswaldo Cruz.  O sanitarista brasileiro morreu em 11 de fevereiro de 1917 aos 44 anos. No início do século 20, ele implementou medidas sanitárias, com brigadas que percorreram casas, jardins, quintais e ruas do Rio de Janeiro, então capital do país, para eliminar focos do Aedes aegypti, depois de erradicar a peste bubônica no Rio de Janeiro,
À frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, no governo do presidente Rodrigues Alves, Oswaldo Cruz se comprometeu a erradicar a febre amarela da capital do país num prazo de três anos, pautado na vacinação obrigatória, que motivou a Revolta da Vacina. A lei foi revogada, mas ele conseguiu erradicar a febre amarela. Cruz também liderou à guerra a peste bubônica, que se disseminou em navios e portos na época. Para combater a doença, soro e vacina estavam disponíveis, além da profilaxia baseada no controle de roedores. Além disso, levou à frente o combate à varíola, no idos de 1904, quando a própria população aderiu à vacinação depois de. ver o resultado do trabalho de Oswaldo Cruz no combate à febre amarela.
Durante a gestão à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz realizou extensa viagem aos portos, no ano de 1905, percorrendo 30 portos em 110 dias a fim de identificar problemas de saúde e propor medidas para estes locais estratégicos para os fluxos comerciais do país. Já no final de sua curta vida, auto-exilado em Petropolis para tratamento médico, atento aos diversos males que afligiam, e depois de toda um vida dedicada ao combate de mosquitos, ele propôs um programa de melhorias urbanas na cidade com foco em Saneamento Básico, sinalizando a fonte de todos os problemas de saúde que atingiam (ainda atingem) a população do país: falta de Saneamento Básico.