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GC nº 3Abril 2010 Matéria 1 de 29
Sumário
  1. EditorialEngarrafamentos: planejar pode ser mais eficiente que construir novas vias
  2. Jogo RápidoDynapac Brasil amplia capacidade de produção
  3. Jogo RápidoConstrução civil receberá investimentos de R$ 137 bi anuais até 2014
  4. Jogo RápidoHidrovia Araguaia–Tocantins vai operar a partir de 2012
  5. Jogo RápidoSai licença para a Vale construir siderúrgica no Pará
  6. Jogo RápidoJCB investe 89 milhões de euros em motor verde
  7. Jogo RápidoMMX anuncia investimentos de R$ 200 milhões em 2010
  8. Jogo RápidoNovas gruas de alta performance
  9. Jogo RápidoFerrovia Norte–Sul terá novo edital para obras no tramo Sul
  10. Jogo RápidoSabesp responde por 26% de todo o investimento em saneamento no País
  11. Jogo RápidoPrêmio SH de Inovação
  12. Jogo RápidoTCU analisa documentação do TAV
  13. Jogo RápidoTerex investirá R$ 150 milhões em nova fábrica em Guaíba (RS)
  14. Jogo RápidoNasce a Odebrecht TransPort
  15. EntrevistaVolvo CE volta a crescer no Brasil prevendo recorde de vendas em 2010
  16. Workshop SobratemaFinanciamento e seguro para equipamentos pesados
  17. Obras De ArteTeresina ganha ponte estaiada
  18. Energia - Parque Eólico AlegriaPrevisão de bons ventos no País
  19. Energia Ute Euzébio RochaPetrobras inaugura Usina Termelétrica Euzébio Rocha
  20. Petróleo E Gás - GasodutosGasene integra a malha de gasodutos no Brasil
  21. Petróleo E Gás - GasodutosGasduc III é recorde em diâmetro
  22. Máquinas E EquipamentosBraço forte para a construção civil
  23. RodoanelTrecho Sul do Rodoanel “abraça” São Paulo
  24. RodoanelLeilão de concessão sai ainda em 2010
  25. RodoviasNova Marginal: obra de R$ 1,3 bi melhora tráfego em São Paulo
  26. AeroportosOpus/Sobratema treina Operadores de máquinas na Líbia
  27. MetrôMetrô de Porto Alegre será complementado por aeromóvel
  28. Métrica Industrial - ImpermeabilizaçãoUm projeto para medir a indústria brasileira
  29. Agenda 2010Tecnologia não destrutiva é tema de congresso em São Paulo
Editorial

Engarrafamentos: planejar pode ser mais eficiente que construir novas vias

Exclusivo GC 3 de maio de 2010 · Edição 3
Engarrafamentos: planejar pode ser mais eficiente que construir novas vias

Nessa edição, Grandes Construções traz matérias especiais sobre a inauguração do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas e da Nova Marginal Tietê, duas das maiores obras viárias do Brasil, nos últimos anos, concebidas para reduzir engarrafamentos, a poluição ambiental e o número de acidentes de trânsito na grande São Paulo, melhorando a qualidade de vida na maior região metropolitana do País.  Ninguém duvida que se trate de duas grandes obras que comprovam a maturidade da Engenharia brasileira, trazendo impactos positivos na fluidez do trânsito na região. Mas não há ilusão de que acabarão com os engarrafamentos quilométricos enfrentados quase que diariamente por quem mora ou trabalha em São Paulo.

O problema tem suas raízes plantadas profundamente no modelo de ocupação urbana da maioria das metrópoles. São Paulo possui 17mil km de vias, cerca de 12 milhões de habitantes e nada menos que 6 milhões de veículos, o que dá uma média de dois habitantes para cada veículo. E a projeção do crescimento desta frota aponta para perspectivas alarmantes: nos próximos dois anos, a capital paulista poderá enfrentar um colapso total, com a saturação completa do seu sistema viário. O trânsito excessivo de veículos particulares, ao mesmo tempo causa e efeito do crescimento do poder de compra do cidadão das classes C e D, provoca conseqüências muito mais graves do que os atrasos e transtornos emocionais enfrentados diariamente pelos motoristas. Os congestionamentos limitam o direito de ir e vir, previsto na Constituição, custam muito dinheiro, prejudicam a saúde da população e atrapalham o crescimento do país.

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos estima que as perdas financeiras com engarrafamentos, acidentes de trânsito e poluição em São Paulo sejam de R$ 4,1 bilhões por ano. Já o Instituto de Estudos Avançados da USP calcula perdas diárias de R$ 11 milhões com tempo e consumo de combustível nos congestionamentos. O estudo considera a média de 80 km de lentidão por dia, com picos de 200 km. No total, os custos anuais chegariam a R$ 3,3 bilhões anuais.

Resolver (ou amenizar) o problema não é apenas uma questão de conforto e bem estar - é também um importante incentivo ao desenvolvimento econômico e social da região. A solução do problema não depende somente da ampliação do sistema viário, mas de investimentos em um sistema de transporte público de qualidade, com aumento das malhas de metrô e trens metropolitanos, criação de novas vias segregadas para os ônibus e oferta de mais viagens, em veículos de maior capacidade e mais confortáveis. Pesquisa realizada pelo Ibope, no início de 2008, revela que 54% dos paulistanos estão totalmente insatisfeitos com o transporte coletivo, e consideram a infraestrutura inadequada às suas necessidades de deslocamento. Isso leva o morador da metrópole a adotar soluções individuais para o problema de locomoção.

Cabe ao Poder Público reverter esse descontrolado e perigoso processo de crescimento do transporte individual, promovendo soluções eficientes e competitiva para o transporte público, oferecendo opções de deslocamentos  rápidos por ônibus, metrô, monotrilhos, trens e sistemas que integrem todos esses modos de transporte, ajudando a melhorar a saúde, segurança, qualidade de vida e competitividade econômica da cidade.

O problema de uma grande cidade começa, na maioria das vezes, na falta de planejamento. É fundamental que as leis municipais de uso e ocupação do solo sejam pensadas no longo prazo e não sejam modificadas segundo as conveniências políticas e econômicas das câmaras de vereadores e prefeituras. A omissão de pensarem-se as soluções de deslocamento para as cidades é de tal gravidade que se desconsidera a solução mais elementar de deslocamento, que é o caminhar pequenas distâncias ou então a utilização de bicicletas. Quando esse quadro tende a se agravar pela conseqüente inércia das pessoas, responsáveis pela condução das ações que norteariam a organização de todo o conjunto de procedimentos, que faria a cidade “caminhar” de forma ordenada, a situação chega a um ponto que pode se transformar em um caos urbano, com proporções sem precedentes.Somente com a conscientização por parte dos administradores públicos e da própria sociedade, isso pode e deve mudar.

Mário Humberto Marques
Presidente da Sobratema