Newsletter
Início› Exclusivo› Edição 14 ← Voltar à edição
GC nº 14Abril 2011 Matéria 1 de 28
Sumário
  1. EditorialO Brasil merece o TAV
  2. Jogo RápidoGerdau fornece perfis para o estádio do Verdão, no Mato Grosso
  3. Jogo RápidoLinha de Transmissão em Tucuruí começa a ser concluída
  4. Jogo RápidoSuperporto do Açu duplica movimentação de cargas
  5. Jogo RápidoR$ 85 milhões para o Porto de Maceió
  6. Jogo RápidoMills investe em capacitação no Nordeste
  7. Jogo RápidoObras da Unidade de Coqueamento Retardado entram em fase de montagem elotromecânica
  8. Jogo RápidoIbama emite licença de operação para o Gastau
  9. Jogo RápidoTalgo quer participar da licitação do TAV e Trens Regionais
  10. Jogo RápidoPat Olney é nomeado o novo CEO da Volvo Construction
  11. Jogo RápidoPorto de Aratu terá investimentos
  12. Jogo RápidoIbama concede licença para planta industrial na Praia das Neves (ES)
  13. EntrevistaTrem de Alta Velocidade desacelera mais uma vez
  14. EntrevistaTAV: muitos projetos, poucos resultados
  15. EntrevistaComeçou a corrida por parceria no TAV
  16. Construction Expo 2011Construction Expo 2011 um megaevento na área de infraestrutura
  17. SaneamentoBrasil entre os piores do Ranking de saneamento no mundo
  18. Copa 2014Arena Pantanal é modelo para a “Copa Verde”
  19. Copa 2014Estruturas do Arena Amazônia começam a ser construídas
  20. Jogos Mundiais MilitaresJogos Militares ensaiam vôo brasileiro das Olimpíadas
  21. LogísticaLinha do sal
  22. Máquinas E EquipamentosChineses chegam ao Rio de Janeiro
  23. Máquinas E EquipamentosTransreta oferece soluções completas como diferencial para o mercado
  24. RodoviasPavimento em concreto na BR-392 mantém tradição no RS
  25. ArtigoRedução de custos em manutenção de pontes e viadutos
  26. Obras De ArteDuas pontes em seis meses
  27. Métrica IndustrialSaneamento: salto quântico para universalização
  28. Questionário OnlinePesquisas online: interatividade com o leitor
Editorial

O Brasil merece o TAV

Exclusivo GC 6 de maio de 2011 · Edição 14
O Brasil merece o TAV

 

Nesta edição, Grandes Construções traz como matéria de capa um dos mais polêmicos projetos de infraestrutura do País: o Trem de Alta Velocidade (TAV). Poucas vezes um empreendimento provocou tantas críticas e, ao mesmo tempo, defesas tão apaixonadas. Toda discussão envolvendo ampla parcela da sociedade é saudável. Principalmente quando diz respeito à aplicação do dinheiro público. Mas é aconselhável deixar as paixões de lado, para enxergarmos a questão nos seus mais diversos aspectos.

Ouvimos com frequência que o trem-bala é desnecessário, fruto da megalomania de governantes que veem nele apenas uma oportunidade de integrar o Brasil ao seleto grupo de países detentores da tecnologia ferroviária da alta velocidade, como se isso fosse um marco para identificar o nosso País como aspirante ao primeiro mundo. Outros defendem a aplicação dos recursos necessários para a construção do TAV – R$ 34,63 bilhões – em áreas como saneamento básico, aeroportos, rodovias, portos, ferrovias convencionais, metrôs e hidrovias. Há ainda os que afirmam que o TAV atenderia apenas às necessidades de deslocamento durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Na verdade a vinculação do projeto aos grandes eventos desportivos desvia o foco de uma questão muito mais importante, qual seja a grave crise do transporte de passageiros em longas distâncias, que vem se instalando no Brasil. É obvio que um sistema de trem como esse só se justifica a partir de perspectivas que vão muito além de um marco de desenvolvimento econômico, ou da sua utilização exclusiva para os eventos da Copa e Olimpíadas. É uma questão vital para a mobilidade entre as grandes cidades brasileiras.

Ninguém ignora a necessidade de intervir estruturalmente no equacionamento do transporte de passageiros, por causa da saturação de aeroportos e rodoviárias neste eixo que concentra boa parte da população e da renda nacional. O TAV, nessa distância, entraria como concorrente direto dos transportes aéreo e rodoviário, agindo como elemento de regulação de tarifas, de ofertas de viagens e de qualidade dos serviços.

A interligação dos aeroportos do Galeão, Guarulhos e Viracopos, e destes com as regiões centrais do Rio e São Paulo, passando pelos principais polos econômicos do Vale do Paraíba como São José dos Campos, Aparecida e Barra Mansa, permitiria a otimização dessas infraestruturas, viabilizando a exploração da capacidade potencial do aeroporto de Viracopos e de São José dos Campos. As alternativas para esse corredor seriam a construção de novos aeroportos e a implementação de uma nova rodovia entre Rio e São Paulo. Tais opções seriam paliativas, não resolveriam estruturalmente o problema e rapidamente estariam saturadas, implicando em graves custos ambientais e sociais.

Para termos uma ideia da eficiência e rapidez do TAV, a viagem entre Rio e São Paulo levaria uma hora e 33 minutos no serviço expresso (sem paradas), duas horas e 33 minutos de Campinas ao Rio com paradas em todas as estações, e uma hora e 4 minutos entre Campinas e São José dos Campos.

Com estes números, é possível imaginar quantos carros e ônibus seriam retirados das estradas, visto que cada trem expresso teria lugar para 458 passageiros, e o trem parador, 600 passageiros, com intervalos de 20 e 10 minutos, respectivamente, no horário normal e de pico, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Não dá para negar também que se trata de oportunidade preciosa de tornar o Brasil uma referência na tecnologia dos trens de alta velocidade, tanto na construção de vias, quanto na fabricação e manutenção de equipamentos para a indústria de material rodante. As exigências de transferência de tecnologia, incluídas no projeto, garantem o domínio desse conhecimento e níveis crescentes de nacionalização da produção de equipamentos e sistemas. Os custos do investimento dimensionados para o projeto exigem padrões elevados de competitividade dos fornecedores, especialmente do segmento de construção civil.

Se observarmos a história, veremos que em 1933 já existiam, na Europa e nos Estados Unidos, trens que trafegavam a 130 km/h. O primeiro trem a trafegar acima dos 200 km/h foi o Shinkansen japonês, em 1964. Já perdemos, portanto, cerca de 37 anos, em termos de transporte ferroviário rápido e eficiente. Quanto tempo mais teremos que esperar?

O fato de existirem outras carências na nossa infraestrutura de transportes não justifica negligenciar o atendimento às necessidades de transporte de um dos maiores aglomerados urbanos do mundo.

Paulo Oscar Auler Neto,

Vice-presidente da Sobratema.