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GC nº 49Junho 2014 Matéria 19 de 20
Sumário
  1. EditorialSem saneamento, sem voto!
  2. Jogo RápidoPAC 2: 11 mil máquinas entregues a municípios brasileiros até maio
  3. Jogo RápidoVolvo entrega 124 ônibus articulados para BRT do Rio de Janeiro
  4. Jogo RápidoMetrôs e trens de passageiros: Brasil terá mais 330 km de trilhos até 2020
  5. Jogo RápidoAeromóvel decola em Porto Alegre
  6. Jogo RápidoPesquisa da ABEMI revela as expectativas da indústria em 2014
  7. Jogo RápidoParceria Petrobras/Sebrae promove requalificação de empresas fornecedoras
  8. Jogo RápidoR$ 2,8 bilhões para programas de saneamento
  9. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  10. EntrevistaConstrução, uma atividade mortal. Até quando?
  11. RodoviasGoverno republica edital da PPP da Tamoios
  12. LogísticaA tendência é compartilhar para crescer
  13. LogísticaEmbu II fica pronto em outubro
  14. Matéria De Capa - M&T Peças E ServiçosM&T Peças e serviços: tecnologia a serviço da satisfação total do cliente
  15. Construção IndustrialMade in Japan feito no Brasil
  16. SaneamentoSaneamento básico: Há dinheiro e tecnologia, mas faltam projetos e vontade política
  17. SaneamentoSoluções em tecnologia
  18. Mobilidade UrbanaRio conhece o protótipo do VLT do Porto Maravilha
  19. Concreto HojePrograma aumenta em 60% a produtividade da indústria de blocos
  20. ArtigoRDC na berlinda
Concreto Hoje

Programa aumenta em 60% a produtividade da indústria de blocos

O Programa de Desenvolvimento Empresarial (PDE) da área de artefatos de concreto completa oito anos e auxilia micro e pequenas empresas do segmento a melhorar sua gestão

Exclusivo GC 1 de julho de 2014 · Edição 49

Fabricantes de artefatos de concreto que participam do programa de qualificação desenvolvido pela ABCP e Sebrae registraram aumentos de produtividade de até 60%

A parceria entre a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para incentivar, qualificar e prestar consultoria às pequenas fábricas de artefatos de concreto começou em 2006 e contabiliza ganhos importantes como o aumento de 60% na produtividade da indústria de blocos. O Programa tem uma dinâmica simples: reúne empresários do setor para participar de cursos gerenciais e técnicos, com o objetivo de inovar e aumentar a produtividade dos fabricantes. O objetivo principal do projeto é a melhoria da qualidade dos produtos, além do aumento da competitividade dos artefatos e da geração e ampliação do relacionamento com toda a cadeia da construção civil. Outra vertente do PDE é o desenvolvimento de estratégias inovadoras e práticas em ambientes colaborativos.

De acordo com Eduardo Henrique D’Avila, gerente regional da ABCP no Rio de Janeiro, Estado onde o projeto foi iniciado, cada ação planejada considera o perfil da indústria de artefatos de concreto. Para ele, as empresas do segmento geralmente nascem pequenas e possuem poucos funcionários para cuidar de todas as etapas. No levantamento feito pela ABCP, 95% delas são micro e pequenas indústrias. “Por conta disso, a figura do empresário se assemelha ao chefe ‘faz tudo’, diferente da concepção de líder. Esse é um dos pontos que precisamos mudar”, diz ele.  A mesma concepção se espelha no processo produtivo, geralmente com predominância da prática manual sobre a automatizada, resultando em baixa produtividade e perdas elevadas. A falta de um sistema de qualidade implantado e poucas estratégias de crescimento dificulta o controle, deixando a empresa com pouca percepção da competitividade dos produtos, que acabam com seus preços definidos pela concorrência.

Como funciona o PDE para a área de artefatos de concreto

Atualmente, o PDE está presente em quinze diferentes Estados brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. “A partir de encontros promovidos entre as fabricantes há um intercâmbio de diferentes experiências e conhecimentos”, explica D’Avila. De acordo com ele, o processo é incentivado por meio de oficinas gerenciais, cursos técnicos de produção de blocos e consultorias especializadas. Para avaliar o desempenho das empresas são realizados diagnósticos da gestão e dos avanços da qualidade, neste caso, preparando a empresa para os selos de qualidade. Para adquirir conhecimentos de mercado, os integrantes do Programa também participam de eventos sobre alvenaria estrutural, intercâmbio em diferentes obras, cursos de racionalização construtiva e treinamentos “in company” para gestores, engenheiros, arquitetos e subempreiteiros.

Ao longo do primeiro ano, ou etapa, os alunos são apresentados a estratégias e processos de gestão, com foco em finanças, e qualidade. A partir do segundo ano, a produtividade ganha foco no “chão de fábrica” e segue para a terceira etapa com uma combinação de gestão de produtos e qualidade. Com conhecimento técnico suficiente, a quarta etapa se resume em noções de competitividade, visando a melhor adaptação da empresa no mercado. Já o último e quinto ano, programado para finalizar o curso, apresentam estratégias de inovação e sustentabilidade. Durante o processo os participantes têm acesso aos indicadores de resultados e certificações de participação e qualificação, entre eles o Selo de Qualidade ABCP e o MPE Diagnóstico - Competitividade Brasil, do Sebrae. De acordo com D’Avila, o desempenho destas empresas na conquista dos selos, inclusive nos critérios de excelência de gestão do Sebrae, têm sido incentivador.

Resultados positivos

De 2010 a 2014, houve um aumento de 50% na conquista do selo de qualidade da ABCP. Índices do programa mostram que, em 2011, as empresas participantes tiveram 33% de itens conformes e apenas 67% de não conformes frente aos critérios do Selo de Qualidade ABCP. No ano passado, essa avaliação tomou uma mudança drástica para 65% de conformes, praticamente dobrando os resultados positivos para certificação.

Da mesma forma, entre as empresas que tomaram parte do programa, foi constatada uma melhoria na gestão de 57%%, conforme os critérios de excelência do MPE Diagnóstico, que inclui a avaliação de liderança, estratégia de planos, clientes, sociedade, informação, pessoas, processos e resultados.

O crescimento se mostrou também nos dados de evolução do programa. De 2012 para o ano passado, o número de cidades que sediam os cursos praticamente dobrou, de 15 para 27 pólos. O número de empresas participantes também aumentou no mesmo período, passando de 228 para 374, assim como nas empresas beneficiadas indiretamente, apresentando aumento de 74%, de 690 para 1200. “Para o período futuro de 2014 a 2016 estamos com boas expectativas e prevemos alcançar mais de 100 cidades, 1.000 empresas diretas e outras cinco mil indiretas”, afirma D’Avila.

No mercado, o aumento das atividades também tem se mostrado, através do consumo de cimento Portland. Segundo dados da SNIC, entre 2006 e 2011, o consumo do segmento aumentou em 146%, muito acima do aumento constatado pelas concreteiras (em 2º lugar, com 134%), fibrocimento, pré-moldados e argamassas.