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GC nº 59Maio 2015 Matéria 21 de 26
Sumário
  1. EditorialPequenas ferrovias, um bom negócio para o Brasil
  2. Jogo RápidoLançado ao mar em abril o petroleiro André Rebouças
  3. Jogo RápidoConstrução naval terá mais R$ 1,8 bi
  4. Jogo RápidoVenda de caminhões I
  5. Jogo RápidoVenda de caminhões II
  6. Jogo RápidoEmprego na construção recuou 0,68% em março
  7. Jogo RápidoEnel vence leilão de energia eólica no Brasil
  8. Jogo RápidoExportações sustentam indústria brasileira de máquinas e equipamentos
  9. Jogo RápidoEstádio Serra Dourada, em Goiânia, será modernizado
  10. Jogo RápidoGoverno do Ceará recebe propostas para obra do VLT na capital
  11. Jogo RápidoPlano de Mobilidade Urbana não afeta contratos já firmados
  12. Jogo RápidoESPAÇO SOBRATEMA
  13. EntrevistaO segredo dos 7 x 1
  14. Matéria De Capa - Porto MaravilhaOperação Urbana: Porto Maravilha
  15. Matéria De Capa - Porto MaravilhaVLT: a nova cara do transporte
  16. Matéria De Capa - Porto MaravilhaTúnel Rio450: mais de 300 mil veículos em um mês de operação
  17. Matéria De Capa - Porto MaravilhaUm museu do "futuro"
  18. Mobilidade UrbanaTransolímpica: medalha de ouro em mobilidade para o Rio de Janeiro
  19. Industrialização Na ConstruçãoEstruturas pré-fabricadas ganham espaço no Brasil
  20. Construção Imobiliária - Shopping TangaráShopping verde
  21. Construção Industrial - Cd CabreúvaAnfaiataria na construção industrial
  22. Excelência Operacional & Lean ConstructionEstratégia de Produção e Logística
  23. Momento M&T ExpoVitrine tecnológica terá lançamentos de mais de 500 expositores
  24. Concreto HojeAreia artificial pode ser solução para o mercado de concreto
  25. ArtigoQuem ganha com a falta de competitividade logística?
  26. Agenda 2015Indústria de Fundações e Geotecnia em foco
Construção Industrial - Cd Cabreúva

Anfaiataria na construção industrial

Multiplicam-se em todo o País os empreendimentos concebidos dentro do modelo Build to Suit, com projetos desenvolvidos e executados por encomenda do locador final

Exclusivo GC 18 de maio de 2015 · Edição 59

Está sendo construído às margens da Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto (SP-300), na altura do km 84, sentido Jundiaí, o Parque Logístico Logbras Cabreúva. O empreendimento dispõe de 293.796 m² de área de terreno e contará com aproximadamente 128.013 m² de área construída. O parque logístico é direcionado ao desenvolvimento de empreendimentos com perfil logístico e industrial, com ocupação dos espaços por meio de operações de Build to Suit. O termo, em inglês, pode ser entendido como construção sob medida, consistindo em um contrato pelo qual um investidor viabiliza um empreendimento imobiliário segundo os interesses de um futuro usuário, que irá utilizá-lo por um período pré-estabelecido, garantindo o retorno do investimento e a remuneração pelo uso do imóvel.

Nessa modalidade de operação imobiliária, muito utilizada pelos segmentos comerciais, industriais e de serviços, o locador se vê desobrigado da imobilização de recursos em ativos fixos, mas assume o compromisso de uma permanência mínima por um período determinado, fixado em contrato.  Em alguns casos, o locador tem, ainda, a preferência de compra do imóvel ao final do período de locação.

No Brasil, a maior parte dos empreendimentos concebidos dentro deste modelo de operação são  galpões e centros de distribuição, mas o conceito se estende também aos setores de escritórios, hoteleiro e educacional. Geralmente, o locador recebe o empreendimento com uma completa infraestrutura, alto nível de tecnologia aplicada e excelente padrão de acabamento.

O desenvolvimento de parques logísticos feitos sob medida para abrigar as operações de empresas de médio e grande porte é uma tendência mundial que se confirma no Brasil. A adequação à necessidade operacional dos usuários, a localização estratégica e os modais disponíveis devem contribuir para a agilidade das operações da empresa em todos os aspectos, proporcionando facilidade de acesso e aumento da competitividade.

No caso da modalidade Build to Suit, cada detalhe do projeto deve ser cuidadosamente analisado, desde a escolha do local, que tem que assegurar facilidades de mobilidade e transporte de mercadorias por diversos modais; passando pelo projeto arquitetônico, que garanta rapidez, segurança e conforto nas operações; até detalhes fundamentais como resistência do piso, adequada ao perfil da operação, pé-direito, modulação de pilares, controle térmico, condições para uso sustentável, infraestrutura de plataformas adequada para as operações de carga e descarga e sustentabilidade. Tais fatores devem influenciar a definição da melhor técnica construtiva para cada demanda, bem como o acompanhamento e cuidado na entrega das obras.

A partir desses conceitos, foi desenvolvido o projeto de um grande centro de distribuição, com 33.300 m², no Parque Logístico Logbras, no município de Cabreúva (SP), sob encomenda de uma grande muntinacional da indústria farmaceutica, que não autorizou a divulgação do seu nome.

De acordo com Richard Gentil, diretor de Negócios da Engineering, empresa responsável pelos serviços de gerenciamento de projetos e de obras para implantação de galpão logístico, uma das exigências do cliente era que todo o galpão fosse climatizado, com o máximo de estabilidade de temperatura em todos os pontos do prédio, de forma a garantir a conservação dos produtos, perecíveis e de alto valor agregado.

Além da gestão do projeto, coube, ainda, à Engineering fazer o planejamento, acompanhamento de custos do empreendimento e fiscalização das obras, até a entrega das instalações para o usuário final.

Gentil explica que Cabreúva foi escolhida para sediar o empreendimento por vários motivos. O primeiro deles é o fato de o cliente final possuir uma unidade fabril na região, o que reduziria as distâncias até o Centro de Distribuição. Outro fator considerado foi a facilidade de acesso aos principais pontos de vendas do fabricante.

Também pesou na decisão a localização estratégica em relação aos grandes corredores de transporte. Cabreúva está localizada a 60 km da capital paulista e é suprida de toda a infraestrutura logística, entre Sorocaba e Campinas, que permite acesso às principais rodovias e canais de distribuição da região.

Por fim, a empresa recebeu do município incentivos fiscais para optar pelo local.

Obra na reta final

Neste momento, a obra, sob a responsabilidade da PW Construções, se encontra com avanço físico de 98%, com previsão de conclusão no segundo semestre deste ano.

A PW Construções é uma empresa de construção civil, que atua no segmento de obras privadas e corporativas de médio e grande porte, com foco de atuação em projetos de plantas industriais, supermercados, centrais de distribuição, shopping centers, parques hoteleiros, escritórios comerciais e obras de varejo em geral.

Todas as etapas da construção do CD de Cabreuva andaram rápido, segundo Richard Gentil, graças aos métodos construtivos adotados. O galpão foi construído com pré-moldados de concreto, a cobertura foi montada em estrutura metálica leve e o fechamento foi em alvenaria.

O prédio tem pé-direito de 20 metros e altura de estocagem livre de 12 metros, para facilitar a armazenagem e movimentação dos produtos e circulação de equipamentos como empilhadeiras, caminhões etc. O piso, industrual, foi dimensionado para seis toneladas por metro quadrado.

Sobre a utilização dos pré-moldados de concretro, Gentil cita uma lista de vantagens. “Primeiro porque esse método construtivo permite a execução de grandes vãos sem a exigência de colocação de muitos pilares de sustentação, o que potencializa a utilização da área de estocagem. Outra grande vantagem é a velocidade na execução do projeto. Geralmente esse tipo de projeto tem um prazo curto, cerca de oito meses para conclusão. E o pré-moldado atende bem a essa demanda.”

Ele lembra que o cliente final exigia uma atenção especial na questão da climatização das instalações. “Para atender a esta demanda, nós tivemos que desenvolver esse empreendimento a seis mãos, envolvendo o projetista, a Engineering, como orientadora; e fabricantes e consultores em ar condicionado, para atender ao prazo de execução e ainda satisfazer o cliente quanto às exigências técnicas relacionadas à climatização. Para manter a temperatura constante e equilibrada em no máximo 23 graus, em todos os pontos de uma grande área como essa, com uma variação muito pequena, é fundamental dimensionar corretamente o equipamento. Tivemos que achar soluções, tanto de conceito de equipamento, quanto de sua regulagem do sistema, para atender a essa variação mínima. Muitas vezes, a entrega desse tipo de equipamento demora quatro meses, o que causa grande impacto para uma obra com oito meses de tempo total de execução. A definição da climatização foi feita com a obra já em andamento”, explica.

Nesse ponto, toda a logística envolvendo o transporte e instalação dos equipamentos assumiram importãncia fundamental em todo o processo. “Vimos-nos diante de um grande dilema: como fazer a movimentação e montagem dos equipamentos, sem atrapalhar a obra propriamente dita”, lembra Richard Gentil.

Sustentabilidade

O diretor de Negócios da Engineering revela que o empreendimento já nasceu com a preocupação com o meio ambiente, tendo como meta, inclusive, a conquista de selo de certificação de sustentabilidade.  Tanto que está em andamento o pedido de certificação com o selo LEED.

Uma das preocupações que marcou o período da construção foi a redução da geração de resíduos sólidos, bem como a reciclagem e reaproveitamento dos resíduois gerados.

Além disso, o projeto foi concebido visando a redução do consumo de energia. Como cerca de 70% do consumo de energia, durante a operação, ficará por conta da climatização, o sistema de ar condicionado foi escolhido não só a partir de critérios de performance, mas também de eficiência energética.

Todo o material usado durante a construção foi adquirido na reagião próxima ao empreendimento, para reduzir ao máximo o consumo de combustíveis durante as operações de transporte. E as obras seguiram dentro do máximo de racionalidade, para evitar perdas e desperdícios.

Para o empreendimento, o selo de certificação LEED está sendo requerido no nível mais básico.