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GC nº 66Jan/Fev 2016 Matéria 17 de 21
Sumário
  1. EditorialParceria com a WOC renova a atuação da Sobratema, na Era da Informação
  2. Jogo RápidoEmpresas se unem para avaliar o uso comercial de veículos elétricos no Brasil
  3. Jogo RápidoAeroporto de Viracopos instala tecnologia avançada de controle de fronteiras
  4. Jogo RápidoConstrução brasileira perde patamar de 3 milhões de postos de trabalho
  5. Jogo RápidoSoluções inovadoras nas obras de pontes na Marginal Pinheiros
  6. Jogo RápidoTecnologia Herrenknecht comprovada em Goiania
  7. Jogo RápidoSeconci-SP faz balanço positivo de 2015, com aumento de 9% no nível de atendimento
  8. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  9. EntrevistaPoucos recursos, muitas demandas
  10. Especial Região SulO equilíbrio das forças
  11. Especial Região SulSanta Catarina: o desafio é crescer sem perder a qualidade de vida
  12. Especial Região SulRio Grande do Sul luta para reconquistar a posição de líder
  13. RodoviasRodovias no Sul integram plano de concessões
  14. Mobilidade UrbanaPróxima estação: Sala de Reunião
  15. Energia HidrelétricaPotencial ainda não totalmente explorado
  16. Energia EólicaInvestimentos em escala
  17. Construção IndustrializadaFaculdade em concreto
  18. Momento ExpoConstruction Expo 2016 terá pavilhão inédito do World of Concrete
  19. Concreto HojeSeguindo em bloco para um futuro concreto
  20. ArtigoSenado e Câmara dão salvo-conduto aos Lixões
  21. Agenda 2016Tecnologias e equipamentos para compactação em debate
Construção Industrializada

Faculdade em concreto

Universidade Federal do ABC, de Santo André/SP, é vencedora do Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto da Abcic

Exclusivo GC 11 de fevereiro de 2016 · Edição 66

Criado em 2011 como parte das comemorações de uma década de fundação da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), o Prêmio Obra do Ano já se consolidou como a principal referência para o setor que tem como foco central a industrialização da construção no segmento de concreto. A premiação visa estimular os profissionais e empresas que tirarem o melhor proveito do potencial técnico do sistema pré-fabricado. Desde sua criação, o evento conta com o incentivo e apoio da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção), através da Revista Grandes Construções.

O vencedor da edição de 2015 é a Universidade Federal do ABC Universidade Federal do ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano), tradicional polo metalúrgico automobilístico (UFABC). A unidade Santo André/SP foi a premiada e a solenidade de entrega do prêmio ocorreu no dia 26 de novembro.

A empresa responsável pelos pré-fabricados da UFABC/Santo André foi a CPI Engenharia, com gerenciamento da Geris Engenharia de Serviços Ltda e Eng. Dionísio Nunes Neto; a coordenação pela Universidade Federal do ABC/Santo André ficou por conta dos engenheiros Joel Pereira Felipe e Guilherme Solci Madeira; o projeto arquitetônico é assinado pelos arquitetos Cláudio Libeskind e Sandra Libeskind; e o projeto estrutural é de Aluizio D’Avila Engenharia de Projetos e engenheiro Luís Miguel Casella Barrese.

Dentre os principais aspectos do empreendimento, segundo a comissão julgadora, destacam-se o volume de concreto e a variedade de elementos empregados no empreendimento. Só para se ter uma ideia, as estruturas consumiram 16.800 m³ de concreto pré-fabricado, distribuídos em vigas e lajes armadas e protendidas, compondo fachadas, peitoris, rampas, lajes, escadas pré-fabricas, pilares moldados in-loco e painéis de fechamento pré-fabricados, já com acabamento.

Segundo Íria Doniak, presidente-executiva da Abcic, o Prêmio recebeu inscrições de obras de todos os segmentos – centros de distribuição e logística, shopping centers, infraestrutura, habitacional e indústria –, além de áreas em que o setor de pré-fabricado de concreto está começando a atuar, como na infraestrutura energética e mineração. “Isso ressalta que a solução de engenharia vem avançando em outros nichos de mercado, diversificando, ainda mais, sua atuação”.

A Comissão Julgadora optou por destacar duas obras com grande relevância e importância que utilizaram o sistema pré-fabricado para receber o Prêmio Destaque do Júri: a Torre Eólica de Tubarão, em Santa Catarina, na categoria Sustentabilidade, construída pela WEG Energia e com fornecimento das estruturas pré-fabricadas de concreto pela Cassol Pré-Fabricados, e os Espessadores de Rejeitos, em Itabira, interior de Minas Gerais, na categoria Inovação, construídos pela Barbosa de Mello com estrutura de pré-fabricados fornecida pela Precon Engenharia.

Foi conferida menção honrosa a outros dois empreendimentos que se destacaram no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto: Fábrica de Escolas do Amanhã – Lote 1, no Rio de Janeiro, com projeto arquitetônico de João Pedro Backheuser, projeto estrutural de autoria de João Luis Casagrande e estruturas pré-fabricadas fornecidas pela Incopre e CPI Engenharia; e o Super Muffato, de São José do Rio Preto (SP), com projeto  estrutural de Ériton Nunes da Costa, projeto arquitetônico de Ricardo e Leonardo Bragaglia e estrutura de pré-fabricado de concreto fornecida pela Marna Pré-Fabricados.

Educação em escala industrial

Criada pela lei 11.145, de 26 de julho de 2005, a UFABC (Universidade Federal do ABC), com campi em Santo André e São Bernardo, simbolizou um momento de grande expansão do ensino universitário. Nesse período, foram construídos os campi de Santo André e São Bernardo, e hoje a universidade conta com um total de mais de 12 mil estudantes.

A instituição iniciou suas atividades em 2006, ainda em local improvisado em Santo André. As obras do primeiro campus deveriam ter sido concluídas em 2010, mas sofreram atraso e ocorreu a rescisão de contrato com a primeira construtora contratada. Alguns blocos ainda estão sendo executados, como os blocos esportivo e cultural, bem como a torre do relógio, que devem ficar prontos ainda neste ano. O complexo esportivo contará com ginásio, piscina semiolímpica e quadras, além de vestiários e estacionamento coberto. Já o bloco cultural terá biblioteca, livraria, salas de estudo e leitura, teatro/auditório para 584 lugares e três salas de cinema.

O campus São Bernardo só foi inaugurado em maio de 2012, com 15 meses de atraso e dois anos após o início das atividades da unidade em um colégio da cidade. O projeto inicial do espaço deveria ter sido concluído até o fim de 2013, o que também não aconteceu. A promessa é de que o Bloco Ômega, última estrutura faltante, seja entregue até o fim do ano. O local abrigará os cursos de Engenharia Espacial, Gestão e Bioengenharia.

Técnica em escala

O escritório Aluizio A. M. d’Avila & Associados, responsável pelo projeto estrutural, inscreveu para participar da premiação os projetos dos blocos A e B da UFABC. O primeiro possui área de 54 mil m² e é constituído de quatro pavimentos comuns, que interligam três torres com cinco, seis e sete pavimentos, respectivamente. Já o bloco B é formado por uma torre única, com área de 13.400 m², dividida em13 pavimentos. A obra foi executada pela construtora Augusto Velloso, com projeto arquitetônico de Cláudio Libeskind. A CPI Engenharia foi responsável pelo fornecimento das estruturas pré-fabricadas da obra e os painéis de fechamento foram fornecidos pela Stamp.

Segundo a CPI Engenharia, a solução adotada para o projeto da UFABC/Santo André é mista, com painéis de fechamento vigas e lajes pré-fabricadas. Estas lajes, por sua vez, foram o grande diferencial da obra, pois o projeto foi concebido com lajes tipo cubeta, que era uma exigência do cliente. Foi desenvolvida uma laje especial nervurada com essa aparência. Projeto, fabricação transporte e montagem de quase 12.000m³ de estrutura tornam esse empreendimento singular devido ao grande volume de peças movimentadas. A solidarização e o capeamento também ficaram por conta da empresa.

As peças foram montadas com gruas. Existiam grandes balanços (quatro metros nas laterais e sete metros no outro sentido), mas a grande dificuldade era o alinhamento das lajes, que precisava ocorrer nas duas direções para formar uma colmeia após o acabamento. As peças foram fabricadas nas unidades da CPI, em Jandira e Santana de Parnaíba. Existiu uma preocupação com respeito à execução das lajes, que não poderiam ter uma grande sobreposição de peças para não serem danificadas. Conforme exigência do cliente, os elementos foram projetados e produzidos respeitando ao máximo a arquitetura, que não concebeu o projeto em pré-fabricado, e com os balanços de até sete metros. Segundo a empresa, o principal diferencial técnico ficou por conta das formas das lajes desenvolvidas internamente e que ditaram o ritmo de produção da obra.