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GC nº 19Setembro 2011 Matéria 19 de 33
Sumário
  1. EditorialInformação e planejamento para o desenvolvimento sustentável
  2. Jogo RápidoConstrução tem novo recorde na geração de emprego
  3. Jogo RápidoGerdau fornece para porto e usinas eólicas
  4. Jogo RápidoPetroleiro do grupo EBX já chegou ao Brasil
  5. Jogo RápidoZoomlion busca feedback junto a clientes
  6. Jogo RápidoPortal revela segredos das PPPs no Brasil
  7. Jogo RápidoMills lança andaime de alumínio para manutenção de caldeiras
  8. Jogo RápidoCimento hidráulico de pega rápida, agora no Brasil
  9. Jogo RápidoDow oferece solução de vedação para a ponte Rio-Niterói
  10. Jogo RápidoPesquisa ITC traça perfil parcial do mercado de construção
  11. Jogo RápidoMedabil constrói hotel em tempo recorde no RS
  12. Jogo RápidoNiemeyer radical
  13. Jogo RápidoNovas tendências para a construção civil movimentam o Eninc 2011
  14. Jogo RápidoNova frota Fora de Estrada para a Usiminas
  15. Jogo RápidoTerex adquire controle da Ritz do Brasil
  16. EntrevistaBelo Monte é desafio histórico para Sotreq
  17. EntrevistaÊnfase no suporte ao produto
  18. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioSanto Antônio gera energia, sonhos e mudanças sociais para várias gerações
  19. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioObras adiantadas em um ano
  20. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioConsórcio reúne pool de empresas
  21. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioNa mão das mulheres
  22. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioPreservação do meio ambiente exigiu soluções inovadoras
  23. Usina Hidrelétrica De Santo AntônioFormas metálicas para o Canal do Peixe
  24. Relatório De InfraestruturaRelatório dos investimentos Infraestrutura no Brasil até 2016
  25. Petróleo E GásIniciadas as obras do Estaleiro Rio Tietê
  26. Olimpíadas 2016Legado dos Jogos do Rio de Janeiro agora tem plano geral definido
  27. AeroportosCéu de brigadeiro no Rio Grande do Norte
  28. Máquinas E EquipamentosMeggadig supera meta no Rio e lança nova retroescavadeira
  29. Máquinas E EquipamentosAtlas Copco cria divisão para o mercado de construção civil
  30. Canteiro De ObrasNovo conceito em habitação provisória
  31. ArtigoO transporte urbano de passageiros sobre trilhos no Brasil
  32. Métrica IndustrialProdução mineral aumenta
  33. AgendaRodovias e concessões na ordem do dia
Usina Hidrelétrica De Santo Antônio

Obras adiantadas em um ano

Exclusivo GC 14 de outubro de 2011 · Edição 19

A usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, já conta com a licença ambiental de operação (LO) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a geração de energia. O enchimento do reservatório começou em setembro e deverá ocorrer em três etapas, assegurando a qualidade da água em níveis adequados para uso múltiplo e manutenção da fauna. A última fase do enchimento deverá se encerrar quando o nível da água atingir a cota de 70,5 metros, no final de novembro. Com isso, a UHE Santo Antônio estará apta a iniciar a geração de energia, prevista para dezembro deste ano. O prazo de 15 de dezembro antecipa em um ano a data prevista no edital do leilão.

O consórcio construtor tinha prometido sete meses de antecedência como ganho estratégico para o cliente. Para isso, foi feito um planejamento com uma visão sobre a questão social e ambiental, logística e de suprimento de materiais. Com capacidade instalada de 3.150 megawatts (MW), a usina é operada pela empresa Santo Antônio Energia, da qual a Cemig e Furnas, do grupo Eletrobras, têm participação, além de outras companhias.

O engenheiro Leonardo Borgatti, diretor de contrato do Consórcio Santo Antônio Civil, é filho de Bruno Borgatti, que foi diretor de construção de Itaipu, pela Unicon.  Leonardo já atuou em diversas obras no Brasil e até na China. E por isso acredita que está reescrevendo o capítulo da história das barragens do Brasil. “Essa é uma obra totalmente diferente das barragens anteriores construídas no Brasil, por sua complexidade, tecnologias e toda a gestão de pessoal que foi implantada”.

Do ponto de vista do projeto, o empreendimento tira proveito de um braço do rio Madeira, onde localizava-se a Ilha do Presídio. Após o fechamento desse braço de rio, foi iniciada a implantação do Grupo de Geração 1, na margem direita, que deverá entrar em operação em dezembro. Esse é o primeiro dos quatro Grupos de Geração que compõem o empreendimento. Borgatti explica que o desvio do rio pela estrutura do Vertedouro Principal é o que permite o início dos trabalhos em seu leito, possibilitando a construção da ensecadeira/barragem, dando início ao enchimento do reservatório.

“O layout do empreendimento foi desenvolvido para tirar o melhor proveito das características do rio e da tecnologia disponível em turbinas hidráulicas”, diz o engenheiro. Com isso, o projeto reduziu consideravelmente a área a ser alagada – uma das principais reivindicações ambientais dos novos projetos de hidrelétricas. “A turbina Bulbo trouxe uma grande evolução tecnológica por ser extremamente adequada a esse tipo de rio”, diz Borgatti. Esse tipo de turbina leva uma grande vantagem por tirar proveito da vazão do rio e não da queda d´água, não havendo formação de um grande reservatório. “Vai ser alagada uma área de 271 km2, o que representa somente 100 km2 a mais do que a calha do rio na época de cheia. Num projeto de usina que precisa de uma queda d´água muito grande, se esse desnível não existir, ele precisa ser criado, como na usina de Itaipu. Como a queda nominal do rio Madeira em Santo Antônio é muito pequena (13,5 m), porém, a vazão é elevada, a área de inundação é pequena também. E isso é muito importante, principalmente, se tratando de usinas na área amazônica, em que é fundamental reduzir  desmatamento, reassentamento, e impacto nas comunidades. Tudo só é possível por causa do uso da turbina bulbo”, explica Borgatti.

A três meses do início da geração do Grupo 1, as obras se concentram  na concretagem das ogivas no vertedouro, assim como na finalização da ensecadeira/barragem no leito do rio, e na conclusão da Casa de Força do Grupo 1. No total, são cinco principais frentes de trabalho, sendo quatro casas de força e um vertedouro principal. A concretagem das ogivas no vertedouro permitirá o enchimento do reservatório. “As ogivas ou soleiras são aquelas estruturas que fazem a dissipação da energia da água que passa pelo Vertedouro. Elas não são construídas antes do desvio para que o fechamento do rio seja executado de maneira mais fácil”, explica Borgatti.

A casa de força do Grupo 2 está com as obras civis em andamento, e em fase de início da montagem eletromecânica. As virolas dos tubos de sucção estão todas montadas, e foi iniciada a descida das partes da turbina da unidade 9, a primeira desse grupo. O Grupo 3 está em fase inicial, com o término da escavação em rocha e início da concretagem das primeiras etapas de fundação. As obras do Grupo 4 ainda  não foram começadas, pois esta será a última casa de força a ser construída. Nessa área, no entanto, teve início a construção da ensecadeira/barragem que permitirá o acesso a essa região do leito do rio.

O que justifica esse cronograma antecipado, explica Borgatti, foi um planejamento bastante arrojado, e a aplicação de sistemas mecanizados e industrializados, que garantissem ganho de tempo e escala. Por exemplo, priorizou-se o uso de elementos pré-moldados em diversos pontos da obra, como nas vigas-munhão (vigas de apoio dos braços das comportas) e nos tubos de sucção.  “Nós fizemos uso intensivo de pré-moldados na casa de força e no próprio vertedouro. Ao mesmo tempo, as formas deslizantes deram grande velocidade de concretagem à obra, pelo fato de permitir a execução ininterrupta das estruturas”, explica o engenheiro.

Para que sejam utilizadas as formas deslizantes, foram empregadas  pré-armações em grande número, o que agilizou o processo. “Utilizamos as pré-armações em larga escala. Essas armaduras de aço, que constituem o concreto armado, não eram montadas no local, barra a barra, como é comum, mas eram montadas no chão, em condições mais favoráveis e que propiciava maior velocidade. Posteriormente os painéis eram içados já prontos para suas posições definitivas. É como se fosse um pré-moldado, mas em barras de aço. Não se trata de novidade, mas de racionalidade”, diz o engenheiro. Essa combinação entre pré-moldado e pré-armado foi utilizada na construção das Casas de Força e do Vertedouro.  “Para ter idéia, essa agilidade permitiu que os pilares do vertedouro – estruturas de cerca de 40 m – fossem concretados em uma única etapa.

Para atingir essa data de entrada de operação, o planejamento buscou a antecipação de quase todos os marcos da obra. Os únicos que não foram alterados, pois dependem da hidrologia do rio, foram a conclusão do vertedouro e o desvio do rio, realizados exatamente no período previsto.

Foi estudado um longo período estatístico para determinar, em cada mês, os períodos propícios aos trabalhos no leito do rio. “É o que se chama de estudo de praticabilidade. Por exemplo, na época de chuva muito intensa, de dezembro a abril, a escavação de solos e a construção de aterros são atividades que têm uma praticabilidade muito pequena, com poucos dias para se executar esses serviços. Então, aproveitou-se para executar a escavação de rocha, atividade que não é afetada pela chuva, assim como o lançamento do concreto. Nos períodos do ano de menor pluviosidade procuramos realizar maciçamente as atividades que envolvam o solo, tanto escavação como aterros, assim como o desvio do rio. O fechamento do rio começou em 5 de julho, com a presença da presidente Dilma Roussef, e foi concluído em 19 do mesmo mês”, diz o engenheiro.

Fora essas etapas, todos os marcos foram antecipados. O ensaio de modelo reduzido foi realizado com quatro meses de antecedência em relação ao previsto. O início do concreto do vertedouro também foi antecipado em quatro meses. O início do concreto da casa de força foi antecipado em sete meses. O início da montagem do tubo de sucção estava previsto para o mês de maio de 2010, tendo sido realizado no mês de novembro de 2009. Hoje, a implantação do empreendimento tem um avanço físico de 54%, sendo que as obras civis já atingiram 60%. Em percentuais de avanço dos serviços isso representa: 81% da escavação comum; 80% da escavação em rocha; 60% dos aterros; 11% da dragagem; e lançamento de 50% do concreto – de um volume de 3.082.000 m³ de concreto, 1.500.000 já foram lançados.

Em grande escala

Para Leonardo Borgatti, as dificuldades técnicas se concentraram, principalmente, na execução do vertedouro. “Nós executamos esse vertedouro, obras civis e montagem, em 15 meses. Foi um prazo recorde para a construção de uma estrutura desse porte, de 15 vãos, com comportas de 21 m de largura por 24 m de altura. Cada pilar, que chegava a 40 m de altura, foi concretado de uma vez só, empregando formas deslizantes que operavam desde a fundação até a crista da estrutura.

Outro trecho complexo da obra ficou por conta da casa de força, por se tratar de um segmento que possui interfaces muito grandes entre fornecedores, montadores e a construção civil. “É uma obra que tem muitos detalhes. Construtivamente, também é mais elaborada, por ser uma estrutura com muitas lajes e pilares. É uma estrutura mais sofisticada para ser construída, com muitos serviços intercalados de obras civis e montagem. Mesmo assim, procuramos industrializar o processo o máximo possível: formas deslizantes nos pilares, as mesas voadoras para as lajes e escoramento, de maneira que pudéssemos aproveitar os escoramentos nas etapas seguintes, sem que tivéssemos que ficar montando e desmontando novamente. Guindastes e gruas foram utilizadas intensamente na construção da Casa de Força, assim como o concreto bombeado, permitindo mais agilidade”, explica.

A obra emprega um número de equipamento considerável: são 44 tratores, 65 escavadeiras, 229 caminhões, 15 gruas, cinco centrais de concreto, e três centrais de britagem. Uma preocupação importante tem sido com a segurança do trabalho, daí um dos enfoques da obra com respeito ao treinamento dos operadores.  “A segurança é uma preocupação constante, pois temos de garantir a saúde e integridade do nosso colaborador. São feitos Treinamentos Diários de Segurança (TDS), de maneira a minimizar os riscos. Infelizmente, mesmo assim, elas podem acontecer, pois essa obra é considerada risco de nível 4, que é a mais elevada da construção civil”, diz Borgatti.

Além de um ambulatório e equipe médica que permanece no local, são desenvolvidas campanhas de conscientização e prevenção de acidentes, assim como o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), entre outras medidas de higiene e segurança. Uma das campanhas mais importantes é com respeito à prevenção de queda em altura, que inclui como atividade de treinamento até mesmo um campeonato de montagem de andaimes, com enfoque na segurança. Borgatti informa que a empresa adota como rotina o dimensionamento e elaboração de memória de cálculo para cada um dos andaimes, com sua Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao CREA-RO. “Na medida em que o andaime conta com um projeto de cálculo, a sua execução segue um padrão técnico com respeito ao uso de materiais e normas de segurança. É um item a mais de segurança ao trabalhador”, diz o engenheiro.

Ele destaca que essas ações fazem parte de uma visão global de gestão de canteiros e de recursos humanos, tendo como objetivo a segurança e o maior conforto dos operários. Faz também parte disso o cuidado com a alimentação dos operários – no caso mais de 20 mil. Nesse sentido, empresa optou pela construção e manutenção de um refeitório próprio, mantida por 290 funcionários, justamente pela necessidade de controle operacional.

Todo o ambiente do refeitório, assim como todas as dependências administrativas, é climatizado, seguindo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). São 30 mil serviços por dia, incluindo café da manhã, almoço, jantar e lanche. De julho de 2009 a julho de 2011, já foram realizados 15 milhões de serviços, com nenhum caso de intoxicação. Um dos cuidados, segundo Vanderson Cozer, Responsável pelo Programa Alimentação, é a eliminação completa da fritura por imersão, evitando a utilização de óleo para essa finalidade, bem como o seu descarte, como uma medida de maior garantia para a saúde dos trabalhadores. Segundo ele, 96% dos insumos utilizados são adquiridos no  estado. Os pratos mais aceitos são a dobradinha e a feijoada.