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GC nº 80Junho 2017 Matéria 21 de 22
Sumário
  1. EditorialArticulação estratégica para mudar o futuro
  2. Jogo RápidoLicenciamento ambiental do Ferroanel Norte é aberto a consulta pública
  3. Jogo RápidoGoverno de São Paulo anuncia licitação para duplicar a SP-250
  4. Jogo RápidoMais um complexo eólico no Nordeste
  5. EntrevistaNada será como antes
  6. Semana Das Tecnologias IntegradasUnião que confirma a força
  7. Semana Das Tecnologias IntegradasA rua como espaço do convívio solidário
  8. Semana Das Tecnologias IntegradasConcreto em contínua evolução
  9. Semana Das Tecnologias IntegradasSem planejamento o BIM perde eficácia
  10. Semana Das Tecnologias IntegradasSelo Casa Azul: certificação ampliada
  11. Semana Das Tecnologias IntegradasSustentabilidade: apoio privado para alavancar o mercado
  12. Semana Das Tecnologias IntegradasReúso e eficiência em ETEs
  13. Semana Das Tecnologias IntegradasEfluente verde
  14. Semana Das Tecnologias IntegradasVedar para não estressar
  15. Semana Das Tecnologias IntegradasConsolidando a cultura da ética
  16. Semana Das Tecnologias IntegradasRental: fazendo do limão uma limonada
  17. Semana Das Tecnologias IntegradasProntos para a retomada do crescimento
  18. EnergiaEnergia que vem do lixo
  19. EnergiaSistema de contenção empregou tecnologia Terramesh Grid
  20. Concreto HojeIPT aperfeiçoa o uso de argila na produção de cimento
  21. ArtigoUrgente: mudança de rumo das cidades
  22. Agenda 2017Infraestrutura e desenvolvimento
Artigo

Urgente: mudança de rumo das cidades

Exclusivo GC 4 de julho de 2017 · Edição 80

As principais cidades do mundo começaram a ser desenhadas há séculos, e não estão preparadas para o que acontecerá a partir dos próximos anos: a quase extinção do comércio popular de rua; o abandono dos antigos edifícios comerciais; a fuga das indústrias; as mudanças na relação de emprego; a robotização; e a inteligência artificial. Cabe ao poder público adaptar as cidades às novas necessidades, vocações e desejos. Tudo isso sob os preceitos da sustentabilidade.

Em meados do século passado, iniciou-se a revitalização do centro das cidades portuárias como Rotterdam, Baltimore, Boston, Buenos Aires, Sidney e Barcelona. Foram intervenções bem-sucedidas que reverteram a degradação da área central destas cidades. Algo que, de forma mais modesta, está sendo feito no Rio de Janeiro. Porém, se no século passado a degradação foi maior nas cidades portuárias, agora o problema será de todas as médias e grandes cidades. As novas tecnologias e as mudanças de comportamento social irão, em menos de 10 anos, alterar o comércio, a indústria, o ensino, a relação de emprego, o trânsito, a construção civil e, consequentemente, o perfil urbano.

Já estão sobrando espaços no centro das cidades. É a hora de, a exemplo de Seul, na Coréia do Sul, fazer aflorar os rios e riachos que foram canalizados; desadensar, eliminando edificações desnecessárias, criando percursos pelo interior das quadras, deixando o centro respirar; evitar a “musealização” do patrimônio histórico, dando vida aos mais importantes exemplares da arquitetura. Veremos também uma diminuição natural do trânsito nos grandes centros urbanos, que ocorrerá, principalmente, pela diminuição drástica da frota de automóveis, motivada pela mudança da cultura do carro próprio com a adoção do compartilhamento, por alternativas privadas e inteligentes de otimização de transporte e por soluções que evitem o deslocamento das pessoas.

Obviamente, toda essa transformação vai refletir em mudanças na construção civil. Os edifícios comerciais deverão vender oportunidades de gerar negócios e não somente espaço. Hoje, vemos a diminuição da demanda para os edifícios de salas comerciais. Diversas variedades de coworkings vocacionais irão substituí-los. Os prédios residenciais deverão atender aos novos hábitos de consumo e relacionamento. Os projetos deverão viabilizar a prestação de novos serviços nas dependências do condomínio, sejam nos apartamentos ou nas áreas comuns. Assim como offices nas áreas comuns, para que os moradores possam receber pessoas para assuntos de trabalho.

A tendência no Brasil é de prédios com aproximadamente 65 pavimentos, altura que só Balneário Camboriú (SC) ousou alcançar. Com este número de pavimentos, equacionado pelo número de torres e de elevadores independentes, o número de apartamentos poderá ser suficiente para sustentar um condomínio inteligente, para todas as classes sociais. É importante salientar que, independentemente do tamanho, as edificações deverão sempre ser amigáveis aos pedestres e à escala humana ao nível do solo.

No Brasil, mais de 84% da população vive em área urbana. Em todo o mundo, esse índice não para de crescer. Para o Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, gerir áreas urbanas é um dos principais desafios do século XXI. Para evitar a degradação dos centros urbanos, é fundamental que as iniciativas públicas e privadas comecem a agir agora. Os poderes executivos e legislativos deverão decidir se essas transformações levarão progresso ou pobreza para suas cidades. As oportunidades que as novas tecnologias e comportamentos sociais estão trazendo são muitas. Planejar, legislar e decidir com visão de futuro é a diferença entre a evolução e o caos urbano.