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GC nº 74Outubro 2016 Matéria 20 de 22
Sumário
  1. EditorialCidades sustentáveis, um desafio multidisciplinar
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoVerdadeira, só que menor
  4. Jogo RápidoObras na Serra do Cafezal entram na reta final
  5. Jogo RápidoAplicação de nitrogênio em estruturas de concreto
  6. Jogo RápidoCase lança retroescavadeira com monitoramento integral
  7. Jogo RápidoCertificação de movimentação de carga
  8. Jogo RápidoTransporte sobre trilhos resiste à crise
  9. Jogo RápidoCantareira supera 45,5% de reserva
  10. EntrevistaDinheiro para crescer e investir em inovação e tecnologia
  11. EntrevistaFinanciando a inovação e a competitividade
  12. História Da EngenhariaUm pioneiro de volta à usina de Itaipu
  13. StartupsCasas "impressas" em 3D
  14. Planejamento Urbano - Orla Do GuaíbaOrla do Guaíba busca uma nova chance
  15. Construção IndustrialControle de processos e sustentabilidade em fábrica da Jaguar Land Rover no Rio
  16. PortosMovimentação portuária cresce 2,4% de janeiro a abril deste ano
  17. Ti Na ConstruçãoConstrutora Toniolo, Busnello adota full data center Nutanix
  18. Momento ExpoAlianças estratégicas para superar crise
  19. Custo Horário Dos EquipamentosOs custos na ponta do lápis
  20. Concreto HojeConcreto reforçado com fibras é usado em saneamento urbano
  21. ArtigoPor que proteger o concreto?
  22. Agenda 2016O que esperar de 2017 no setor da construção
Concreto Hoje

Concreto reforçado com fibras é usado em saneamento urbano

Pesquisa da USP indica ensaios menos custosos, podendo o material ser aplicado na validação de tubulações de água e esgoto

Exclusivo GC 15 de outubro de 2016 · Edição 74

Para  Renata Monte, são necessários uma estrutura de normalização e laboratórios capacitados para o controle do concreto reforçado com fibra, a fim de oferecer mais segurança ao projetista

Doutorada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) no ano passado, a engenheira Renata Monte cruzou duas informações importantes em sua pesquisa: o grande volume de tubos de concreto demandado pela área de saneamento urbano e a limitada normalização sobre uso de fibras nesse tipo de produto. Hoje, as metodologias de caracterização do chamado concreto reforçado com fibra (CRF) são caras e produzem muito material residual. Uma avaliação precisa e menos custosa poderia ampliar o uso do CRF, com forte apelo social em função de o país ter um grande déficit de coleta e de tratamento de esgoto.

Adicionalmente, a disponibilidade de boas fibras de aço, sintéticas e de vidro no mercado brasileiro é um sinal de que há material suficiente para ser usado como aditivo para concreto. “No Brasil, 90% do mercado de fibras é direcionado para uso em pavimentos. Para crescer em outras aplicações, tornam-se necessários uma estrutura de normalização e laboratórios capacitados para o controle do material, oferecendo segurança ao projetista para a especificação do concreto reforçado com fibras (CRF)”, avalia Renata.

Segundo ela, existem atualmente duas normas técnicas relacionadas ao assunto, sendo uma de especificação das fibras de aço e a outra de tubos de concreto para obras pluviais e de saneamento, que contemplam o uso de fibras de aço. “Contudo, não existem normas técnicas nacionais de métodos de ensaio para a caracterização do concreto com fibras”, explica. Os ensaios mais utilizados baseiam-se na flexão de pequenas vigas, com adoção de normas japonesa JSCE-SF4 (1984), americana ASTM C1609 (2012) e europeia EN 14651 (2007). Mas aqui pesam as diferenças de mercado: a moldagem dessas vigas com o concreto de produção dos tubos é inviável devido sua consistência mais seca.

“A falta de um modelo simplificado de caracterização e controle do concreto com fibras para tubos faz com que a definição do reforço ótimo, ou seja, do teor de fibras para atender determinado comportamento mecânico, seja realizada por meio de tentativa e erro no ensaio de compressão diametral do componente”, resume a pesquisadora, que justamente pesquisou modelos de ensaios de menor escala para parametrizar o comportamento do tubo de concreto com fibras.

Em sua tese Renata não parte do zero. Pelo contrário. A pesquisadora – que trabalha desde o ano 2000 como especialista de laboratório na Poli-USP – buscou a referência no fib Model Code para estruturas de concreto, código modelo europeu que serve de referência para futuras normalizações. “Na sua última edição, publicada em 2013, ele apresenta a filosofia para a parametrização do comportamento pós-fissuração do concreto com fibras para fins estruturais e, na minha pesquisa, eu indiquei que essa filosofia pode ser aplicada no ensaio de tubos, adaptando-se o procedimento de ensaio como a encontrada na norma brasileira vigente”, explica.

De acordo com Renata, a metodologia mais simplificada de caracterização dos tubos de CRF foi validada com ensaios em escala real.  Resultado: os dados mostraram que a parametrização do concreto com fibras usando-se o ensaio Barcelona pode ser utilizada para prever a resposta do tubo no ensaio de compressão diametral. Com isso, os ensaios de compressão diametral – mais custosos – podem ser usados somente para controle de aceitação ou para a validação final de um novo componente projetado.

O ensaio Barcelona foi normalizado na Espanha e pode ser considerado como uma promissora alternativa para o controle corriqueiro do concreto com fibras, na avaliação de Renata. “Neste ensaio é realizado um duplo puncionamento de corpos de prova cilíndricos ou cúbicos e de dimensões bem menores que as dos prismas, permitindo também a extração de testemunhos de estruturas”, detalha a especialista.

Apesar do procedimento experimental mais simples e de terem sido alcançados resultados positivos em estudos acadêmicos, a difusão do ensaio Barcelona ainda carece do estabelecimento de correlações com os parâmetros de projeto. A pesquisadora lembra que, no Brasil, são considerados ensaios já consagrados, como os de flexão de vigas ou punção de placas, quando se especifica um parâmetro de controle para o concreto com fibras, seja em termos de resistência residual ou tenacidade.

Ela destaca que o ensaio Barcelona pode ser a melhor alternativa para o controle, mas ainda prescinde de um estudo prévio de correlação com ensaios já consagrados para o concreto com fibras a ser produzido. “As correlações já obtidas entre o ensaio Barcelona e os ensaios de flexão de vigas são muito boas, mas ainda não podem ser consideradas correlações gerais, pois dependem do tipo de fibra e da matriz de concreto utilizados”.

Mesmo com as ressalvas técnicas destacadas acima, Renata avalia que o potencial do ensaio Barcelona para a caracterização e controle do concreto com fibras é viável. “Ainda estamos estudando diversos aspectos, pois as referências principais são os ensaios de flexão e, até o momento, a correlação Barcelona x Flexão não é geral para qualquer tipo de fibra. Além disso, um trabalho interlaboratorial do ensaio Barcelona deverá ser realizado em breve”, finaliza a especialista.

Especialistas discutem a aplicação estrutural do CRF

Renata Monte lembra que um comitê técnico (CT 303) do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), em conjunto com a Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), está atualmente trabalhando na produção de práticas recomendadas para a aplicação estrutural 011111do CRF. O documento baseia-se justamente no código modelo europeu (fib Model Code 33332010). Ela acredita que o comitê deve propor novas normas técnicas para as comissões de estudo da ABNT.