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GC nº 74Outubro 2016 Matéria 14 de 22
Sumário
  1. EditorialCidades sustentáveis, um desafio multidisciplinar
  2. Jogo RápidoEspaço Sobratema
  3. Jogo RápidoVerdadeira, só que menor
  4. Jogo RápidoObras na Serra do Cafezal entram na reta final
  5. Jogo RápidoAplicação de nitrogênio em estruturas de concreto
  6. Jogo RápidoCase lança retroescavadeira com monitoramento integral
  7. Jogo RápidoCertificação de movimentação de carga
  8. Jogo RápidoTransporte sobre trilhos resiste à crise
  9. Jogo RápidoCantareira supera 45,5% de reserva
  10. EntrevistaDinheiro para crescer e investir em inovação e tecnologia
  11. EntrevistaFinanciando a inovação e a competitividade
  12. História Da EngenhariaUm pioneiro de volta à usina de Itaipu
  13. StartupsCasas "impressas" em 3D
  14. Planejamento Urbano - Orla Do GuaíbaOrla do Guaíba busca uma nova chance
  15. Construção IndustrialControle de processos e sustentabilidade em fábrica da Jaguar Land Rover no Rio
  16. PortosMovimentação portuária cresce 2,4% de janeiro a abril deste ano
  17. Ti Na ConstruçãoConstrutora Toniolo, Busnello adota full data center Nutanix
  18. Momento ExpoAlianças estratégicas para superar crise
  19. Custo Horário Dos EquipamentosOs custos na ponta do lápis
  20. Concreto HojeConcreto reforçado com fibras é usado em saneamento urbano
  21. ArtigoPor que proteger o concreto?
  22. Agenda 2016O que esperar de 2017 no setor da construção
Planejamento Urbano - Orla Do Guaíba

Orla do Guaíba busca uma nova chance

Projeto de revitalização deverá reequipar bordas do rio e integrar a natureza com a vida urbana da capital gaúcha

Exclusivo GC 15 de outubro de 2016 · Edição 74

A revitalização da Orla do rio Guaíba, em Porto Alegre, é um projeto ambicioso que finalmente começou a sair do papel há cerca de dois anos, após a conclusão do “Relatório Orla”. A renovação da Orla se arrasta desde 2012, quando o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) aprovou o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) do Parque Urbano. O projeto foi desenvolvido pelo escritório do arquiteto Jaime Lerner, contratado pela Prefeitura por “notório saber”. Na época, a decisão do Executivo municipal de não realizar licitação para o projeto foi polêmica.

A intenção do Relatório foi desenvolver a revitalização da orla de modo planejado, unificado e global, integrando o projeto a um conjunto de outras ações e projetos urbanísticos, que prometem deixar um forte legado para as futuras gerações da cidade. Uma das principais faces é justamente a despoluição e recuperação ambiental do rio, transformando-o no coração pulsante de uma nova cidade. Quando foi preparado, Porto Alegre e o próprio Rio Grande do Sul ainda não estavam mergulhados na intensa crise financeira, que abateu os recursos do Estado e vem comprometendo uma série de serviços públicos, com reflexos deploráveis para a vida urbana, sobretudo para a segurança local, levando até mesmo à convocação da Força Nacional de Segurança para combater a violência em Porto Alegre e outras cidades.

A orla

Os 70 km da Orla do Guaíba (desde a ponta do Gasômetro, ao norte do lago, até a Praia do Lami, no extremo sul) foram divididos em 19 setores, cada um deles com as suas peculiaridades e oportunidades. O foco do estudo foram os setores 5, 6, 7 e 8, desde a Usina do Gasômetro até o limite com o Iate Clube Guaíba (Ponta do Dionísio), com a proposição de um plano estratégico de qualificação urbana e diversas intervenções urbanísticas que poderão contribuir para que a população se aproprie e usufrua plenamente desses espaços da cidade.

Comparando a Orla do Guaíba ao aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, o trabalho municipal mostrou que a instalação de empreendimentos, além de viável econômica e ambientalmente, é a principal forma de aumentar a convivência porto-alegrense com o seu principal cartão postal. De forma gradual, o surgimento de alguns projetos e empreendimentos já está mudando a paisagem da Orla do Guaíba. À despoluição do Lago Guaíba, que agora começa a se concretizar com o início das obras do Programa Integrado Socioambiental (Pisa), no Bairro Restinga, somam-se a realização de outros grandes projetos, como a construção do Barra Shopping, no Bairro Cristal, o novo prédio do Foro Central, que será erguido próximo ao entroncamento da Avenida Ipiranga com a Beira Rio e cujo regime urbanístico próprio já foi aprovado pela Câmara Municipal, a revitalização do cais Mauá, a Marina Pública, o novo teatro da Ospa, o museu Iberê Camargo e os Portais do Guaíba, entre outros.

A revitalização do Cais do Porto, por exemplo, é uma intenção que existe há cerca de 20 anos. Os governos municipal e estadual estudaram as possibilidades de ocupação do espaço e, definidas as diretrizes urbanísticas do plano diretor para o Cais Mauá, foram aprovadas pelo Conselho Municipal do Plano Diretor. Com a suspensão das operações portuárias, em 2005, os 12 armazéns do Cais Mauá foram desativados. O cais tem 180 mil metros quadrados desde a Usina do Gasômetro até a rodoviária.

Um dos principais pontos de ligação entre a cidade e o Lago Guaíba, a Usina do Gasômetro e seu entorno, também fazem parte do trabalho de revitalização, com a reconstituição do acesso dos barcos de turismo, por meio da construção de um novo atracadouro ou trapiche.

A nova sede da Fundação Iberê Camargo, um referencial arquitetônico para o país, é outro equipamento de aproximação da cidade com o lago. O projeto do arquiteto português Álvaro Siza Vieira recebeu, em 2002, o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, um dos mais importantes eventos de arquitetura do mundo. Localizado na Avenida Padre Cacique, o prédio abriga a coleção de mais de 4 mil obras de Iberê Camargo, dispondo de nove salas de exposições, atelier de gravura em metal, atelier múltiplo, auditório, centro de pesquisa e informação, átrio, livraria, cafeteria e estacionamento subterrâneo.

Revitalização

Aproximadamente 10 meses depois do começo das obras, a revitalização do primeiro trecho da orla do Guaíba chega a 50% de conclusão, e a prefeitura mantém o prazo de  entrega para 2017. Os trabalhos ocorrem em 1,3 km entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias. O projeto do arquiteto paranaense Jaime Lerner para a Revitalização da Orla previu novos passeios, ciclovia, ancoradouro, deques, bares e restaurantes — inclusive um flutuante sobre o Guaíba. Os trabalhos ficaram a cargo das empresas vencedoras da licitação, que formam o consórcio Orla Mais Alegre, formado pelas empresas Procon, Sadenco e SH Estruturas Metálicas.

O projeto original sofreu algumas mudanças no ano passado, como a elevação do bar flutuante Quase Meia Noite, que deve ficar próximo à Usina do Gasômetro. A alteração surgiu após as enchentes ocorridas no ano passado, que levaram o rio a registrar a segunda maior cheia de sua história. Ainda estão previstas a instalação de outros bares e decks, além de um espaço para vendedores ambulantes, o ancoradouro, passarelas e vestiário.   A praça Júlio Mesquita também já está totalmente cercada. Os trabalhos no local foram iniciados na última semana de maio e o prazo de término está agendado para o final de outubro. Serão construídos um deck de madeira em grande área, uma quadra de futebol, um espelho d'água e um parquinho.