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GC nº 57Março 2015 Matéria 1 de 22
Sumário
  1. EditorialNós pagamos a conta do gargalo nos portos
  2. Jogo RápidoESPAÇO SOBRATEMA
  3. Jogo RápidoCeará apresenta plano de reformulação de modais
  4. Jogo RápidoRebaixamento de lençol freático com redução de tempo e energia
  5. Jogo RápidoMT determina novo prazo para estudos de concessões
  6. Jogo RápidoNew Holland Construction lança o trator de esteiras D180C
  7. Jogo RápidoMaior dique flutuante do mundo deixa o Porto do Açu
  8. Jogo RápidoChegam os primeiros trens para a Linha 4 do metrô carioca
  9. Jogo RápidoPrimax adquire guindastes Sany personalizados
  10. Jogo RápidoComeçam as obras da maior termelétrica, a biomassa da América Latina
  11. EntrevistaConstrução busca novos caminhos
  12. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaCrescendo mais devagar, mas crescendo
  13. Matéria De Capa - Construção ImobiliáriaHabitação popular
  14. EnergiaA batalha do Tapajós continua
  15. EnergiaA batalha pela fronteira Munduruku
  16. PortosJogo travado nos portos
  17. PortosAntaq apresenta resultados de estudo sobre concorrência nos portos
  18. Excelência Operacional & Lean ConstructionEstratégia das Operações
  19. Momento M&T ExpoFeira mostrará inovações em equipamentos para obras e mineração
  20. Concreto HojeAbesc vê espaço para crescimento do uso de concreto
  21. ArtigoBIM nas obras públicas
  22. Agenda 2015Produtividade - Os Grandes Desafios na Construção
Editorial

Nós pagamos a conta do gargalo nos portos

Exclusivo GC 16 de março de 2015 · Edição 57

Promover os arrendamentos de áreas dos portos organizados, a fim de atrair investimentos privados, modernizar a infraestrutura portuária e dar suporte ao crescimento da movimentação das cargas e sua competitividade dentro e fora do Brasil. Em tese, esse seria o objetivo do Plano de Investimento em Logística – Portos (PIL-Portos), lançado pelo governo federal em dezembro de 2012. Seria muito bom para o Brasil, se todo o processo não estivesse represado, por conta de impasses envolvendo o próprio governo e entes de controle como o Tribunal de Contas da União, ou pela ação de sindicatos e outras associações classistas.

Com previsão de investimentos de R$ 54,6 bilhões até o ano 2017, o PIL-Portos contava com159 áreas passíveis de arrendamento, divididas em cinco blocos organizados em um cronograma de licitações. O conceito básico que norteava o programa era, além de aumentar a movimentação, com ganhos de escala, reduzir custos e aumentar a eficiência dos portos, eliminando barreiras ao fluxo de comércio brasileiro. Ampliar e modernizar a estrutura portuária seria fundamental para capacitar o sistema ao expressivo crescimento de movimentação de cargas, projetado até 2030.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o complexo portuário brasileiro movimentou, em 2013, 929 milhões de toneladas de carga bruta, apresentando um crescimento de 2,9% em relação a 2012. Já em 2014, o País movimentou por via marítima, um total de 969 milhões de toneladas de cargas, sendo 349 milhões em portos organizados e 620 milhões em terminais de uso privado. O registro representa um crescimento de 4% frente a 2013

Sozinho, o setor portuário é responsável por mais de 90% das exportações do País.

Pelo novo marco regulatório, cujos efeitos ainda não se fizeram sentir, as licitações das áreas passíveis de arrendamento deveriam considerar a vocação de cada porto. A definição do vencedor de cada disputa não seria vinculada ao pagamento do maior valor de outorga pela área, e sim a critérios como modicidade de tarifa, capacidade de movimentação, redução do tempo de movimentação de carga, modernização e otimização da infraestrutura, entre outros.

Mas, lamentável, o impasse que se estabeleceu como resultado da falta de flexibilidade de todos os envolvidos paralisou todo o processo. Há mais de um ano, os estudos de viabilidade para novos contratos de arrendamento de terminais portuários estão retidos no TCU. Desde dezembro de 2013, o processo entrou numa espiral de recursos e contestações, após decisões desfavoráveis ao governo.

Sem as mudanças necessárias, quem paga a conta da ineficiência dos nossos portos é o povo brasileiro. Um exemplo: no Brasil, dos 13 dias da jornada de um contêiner rumo à exportação, seis são gastos com papelada no porto. Em Cingapura, que tem o melhor desempenho nesse ranking, o tempo gasto com a burocracia é de um dia; nos Estados Unidos, dois. Essa é uma das razões pelas quais o preço para exportar um contêiner no Brasil é mais do que o dobro do cobrado na Europa.

Em Santos, o tempo que um navio fica parado no porto, inoperante, aguardando sua vez, representa 56% do tempo total da estadia. Numa operação de carregamento de milho, por exemplo, dos 18,7 dias que o navio fica no porto, em 16,3 dias ele fica parado, sem carregar ou descarregar.

Ineficiência e burocracia nos portos têm impacto direto no custo total da operação cobrado de exportadores e importadores, encarecendo as mercadorias que entram ou saem do Brasil e impactando negativamente a balança comercial.

Nós é que pagamos a conta da falta de patriotismo e inflexibilidade de uma minoria que insiste em colocar seus privilégios políticos e econômicos acima da realidade do mercado e de um projeto de desenvolvimento para o País.

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema